O Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, inaugurou uma sala especial da exposição “BioOCAnomia Amazônica” em celebração ao Dia de Proteção às Florestas, lembrado em 17 de julho. A mostra reúne histórias de lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas de seis estados da Amazônia Legal que dedicam suas vidas à conservação da floresta, à valorização dos saberes tradicionais e ao fortalecimento da bioeconomia amazônica.
Entre os homenageados estão nomes de destaque na defesa dos povos originários e da Amazônia, como o cacique Raoni Metuktire, liderança do povo Mebêngôkre (Kayapó), reconhecido internacionalmente por sua atuação em defesa da floresta, e o xamã e escritor Davi Kopenawa, uma das principais vozes indígenas do Brasil.
A exposição também presta homenagem a outras lideranças amazônicas que desenvolvem iniciativas de proteção ambiental e fortalecimento das comunidades tradicionais. Entre elas estão a artesã Lucineide da Silva Garrido, a empreendedora Marlene Alves da Costa, o pescador Janderson da Silva Mendonça e Rosângela Cunha, da Associação das Mulheres Agroextrativistas do Médio Juruá.
Diversidade de saberes e territórios
A mostra reúne representantes de diferentes estados da Amazônia Legal e evidencia a diversidade de conhecimentos presentes nos territórios amazônicos.
Do Acre, é homenageada Valdenira Batista, liderança do povo Huni Kuin (Kaxinawá) e referência na promoção da saúde da mulher indígena gestante. Do Maranhão, a exposição destaca Maria Nice Machado Aires, liderança quilombola e quebradeira de coco babaçu, integrante da coordenação regional do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

Também integram a exposição Antônia Márcia dos Santos, conhecida como Nega do Biluca, do Amapá, reconhecida pela preservação de tradições afro-amazônicas, e Maria Aparecida Apinajé, do Tocantins, integrante da Brigada Feminina Indígena Pẽp Apinajé, considerada a primeira brigada formada exclusivamente por mulheres indígenas para atuar na proteção da floresta.
Floresta protegida por quem vive nela
Segundo os organizadores, a exposição busca reconhecer pessoas que atuam diariamente na proteção dos ecossistemas amazônicos e demonstrar que a conservação da floresta depende do protagonismo de seus povos e comunidades tradicionais.
Ao reunir essas trajetórias em um mesmo espaço, a mostra reforça que a preservação ambiental está diretamente ligada ao conhecimento acumulado por gerações e às práticas desenvolvidas por quem vive nos territórios amazônicos.
Exposição segue aberta até novembro
A “BioOCAnomia Amazônica” permanece em cartaz no Museu do Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, até novembro de 2026. A iniciativa integra a programação do museu voltada à divulgação da biodiversidade brasileira, da bioeconomia e da importância da floresta amazônica para o equilíbrio ambiental e climático.

