Acre registra 260 focos de queimadas em um único dia e outubro já tem alta de 140%

O Acre registrou 260 focos de queimadas em apenas um dia, em um forte aumento das ocorrências detectadas por satélite no início de outubro. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e mostram que a maior concentração ocorreu na terça-feira, 6 de outubro.

O número chama atenção não apenas pelo volume diário. Os 260 registros correspondem a 46,6% de todos os 558 focos contabilizados no Acre durante outubro inteiro de 2025.

Nos seis primeiros dias de outubro deste ano, o estado já acumulava 370 focos, contra 154 no mesmo intervalo do ano passado. Isso representa crescimento de aproximadamente 140% na comparação entre os dois períodos

Os números, entretanto, ainda são parciais e não permitem antecipar como outubro de 2026 terminará.

Um único dia concentrou 70% dos focos do mês até agora

A dimensão do pico registrado no dia 6 fica ainda mais evidente quando os 260 focos são comparados com o acumulado dos primeiros seis dias de outubro.

Dos 370 focos registrados no período, cerca de 70% ocorreram somente no dia 6.

Até então, os maiores registros diários do mês haviam ocorrido no dia 3 de outubro, com 55 focos, e no dia 5, com 53.

Isso significa que a quantidade identificada no dia 6 foi quase cinco vezes maior que o maior registro diário observado anteriormente em outubro.

O banco de dados do Programa Queimadas do Inpe já disponibiliza os arquivos diários correspondentes ao período, incluindo os registros de 6 de outubro.

Outubro começa com cenário diferente de 2025

A comparação com o ano passado também evidencia a aceleração observada neste início de mês.

Entre 1º e 6 de outubro de 2025, foram contabilizados 154 focos. No mesmo período de 2026, o total chegou a 370.

São 216 ocorrências a mais, resultando na alta aproximada de 140%.

Ainda assim, é necessário cautela na comparação entre o resultado parcial deste ano e o total de outubro passado. Os dados disponíveis de 2026 abrangem somente os primeiros seis dias, enquanto os 558 focos de 2025 correspondem ao mês completo.

Setembro já havia terminado em alta

O avanço no início de outubro ocorre logo depois de setembro encerrar com aumento das ocorrências no Acre.

Durante setembro de 2026, foram registrados 877 focos de queimadas, ante 840 no mesmo mês de 2025. O crescimento foi de 4,4%.

A distribuição ao longo do mês também foi irregular, com alguns dias concentrando grande quantidade de registros.

O maior pico de setembro havia ocorrido no dia 10, com 134 focos. Outros episódios expressivos foram registrados nos dias 23, com 117; 20, com 115; e 25, com 101.

Nesse contexto, os 260 focos identificados em 6 de outubro superaram com ampla margem qualquer um dos picos diários observados durante setembro.

Foco de calor não significa necessariamente um incêndio diferente

Os dados utilizados no levantamento fazem parte do Programa Queimadas do Inpe, que utiliza informações de satélites para monitorar focos de fogo ativo na vegetação.

Por isso, é importante fazer uma distinção: um foco detectado por satélite não deve ser interpretado automaticamente como um incêndio florestal individual. Um mesmo evento de grandes proporções pode gerar mais de uma detecção, enquanto determinadas ocorrências podem não ser captadas pelos sensores.

Os focos são, portanto, indicadores utilizados para acompanhar espacial e temporalmente a ocorrência de fogo.

O próprio Inpe mantém painéis de monitoramento com mapas da ocorrência de fogo na vegetação e informações sobre risco de fogo nos diferentes biomas brasileiros.

Dados de outubro ainda são parciais

Apesar do salto observado nos primeiros dias, ainda não é possível afirmar que outubro de 2026 terminará com mais queimadas do que o mesmo mês do ano passado.

O levantamento divulgado considera ocorrências somente até 6 de outubro.

A concentração de 260 focos em um único dia mostra, porém, uma mudança importante no comportamento recente das detecções no estado: o número é quase o dobro do maior pico diário registrado durante setembro.

O monitoramento ganha relevância justamente durante o período em que o Acre historicamente enfrenta maior pressão relacionada ao uso do fogo e às condições de estiagem.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente mantém acompanhamento periódico de queimadas e desmatamento por meio de notas técnicas produzidas pelo Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma/Ucgeo). A série de 2026 já reúne levantamentos mensais de janeiro a agosto.

Com outubro ainda no início, os próximos dias serão determinantes para mostrar se os 260 focos registrados em 6 de outubro representam um episódio isolado de forte concentração ou o início de um período mais intenso de ocorrências no estado.

By emprezaz

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