Agricultura familiar ganha força em Rio Branco com mecanização, insumos e apoio à comercialização

A agricultura familiar na zona rural de Rio Branco vem combinando diversificação da produção com políticas municipais de apoio aos pequenos produtores. Na região da Baixa Verde, no Ramal Guinoá, uma propriedade reúne atualmente cerca de seis mil pés de melancia, distribuídos por três hectares, e uma estrutura de hidroponia destinada principalmente à produção de alface.

O caso apresentado nesta sexta-feira (21) pela Prefeitura de Rio Branco é o do produtor rural Dalney Aparecido dos Santos, que trabalha ao lado dos pais e do irmão. Além da produção própria, a família recebe apoio da Secretaria Municipal de Agropecuária com mecanização, insumos e assistência.

Segundo a administração municipal, a política não termina na propriedade: produtores atendidos também recebem suporte para levar os alimentos até as feiras da capital, incluindo transporte da produção e dos próprios agricultores.

Hidroponia tem capacidade para 70 mil pés de alface

Uma das principais estruturas da propriedade de Dalney é o sistema de cultivo hidropônico.

São 34 bancadas destinadas principalmente à produção de alface durante todo o ano, com capacidade aproximada para 70 mil pés. Paralelamente, a família aproveita diferentes períodos do calendário agrícola para introduzir outras culturas.

Na safra atual, a aposta foi a melancia. Foram plantados aproximadamente seis mil pés em três hectares.

Dalney avaliou que o resultado alcançou cerca de 80% do esperado. Embora a quantidade de frutos não tenha sido tão elevada quanto desejada, o produtor destacou positivamente o tamanho das melancias e se disse satisfeito com a colheita.

A diversificação tem uma finalidade econômica clara: criar fontes complementares de renda e aproveitar melhor a terra disponível.

Depois da colheita das melancias, a família já planeja mudar novamente a cultura. O próximo plantio deverá ser de milho verde, com previsão de produção voltada ao fim do ano.

Produção envolve diferentes gerações da família

O trabalho na propriedade também preserva uma das características centrais da agricultura familiar: a participação direta dos integrantes da família nas diferentes etapas da produção.

Dalney trabalha em conjunto com os pais, já idosos, e o irmão. Embora os familiares possuam propriedades próprias, as atividades agrícolas são compartilhadas.

Essa organização permite dividir tarefas e manter diferentes cultivos ao longo do ano.

Ao mesmo tempo, a estratégia de alternar culturas procura reduzir a dependência econômica de um único produto. Alface, melancia e, futuramente, milho verde passam a integrar ciclos diferentes de produção e comercialização.

Prefeitura fornece máquinas, adubo e calcário

Parte dos custos enfrentados pela família é reduzida por meio do apoio da Secretaria Municipal de Agropecuária.

Segundo a Prefeitura, estão entre os serviços oferecidos aos agricultores a mecanização das áreas com máquinas e tratores, distribuição de adubo e fornecimento de calcário.

Dalney relata que recebeu auxílio com trator para mecanização e uma quantidade de adubo utilizada na propriedade. Para ele, a redução dessas despesas permite direcionar mais recursos à própria produção e contribui para a permanência das famílias na atividade rural.

O secretário municipal de Agropecuária, Eracides Caetano de Souza, afirma que a política busca justamente proporcionar melhores condições para que os agricultores consigam produzir.

Durante visita à propriedade, ele destacou a vocação agrícola da Baixa Verde, principalmente para a produção de melancia, mas também chamou atenção para o avanço de outras culturas, como o café, que já estaria sendo processado e comercializado por produtores locais.

Baixa Verde se destaca pela diversidade agrícola

Segundo Eracides, a Baixa Verde figura entre as regiões de maior produção agrícola do município e apresenta condições para diferentes tipos de cultivo.

O secretário também ressaltou que a entrega de insumos e o uso de máquinas públicas precisam resultar efetivamente em produção e geração de renda. No caso da família de Dalney, afirmou acompanhar o trabalho há cerca de seis anos.

A estratégia adotada na propriedade ilustra essa diversidade. Enquanto a hidroponia mantém a oferta de hortaliças, culturas sazonais utilizam as áreas de solo conforme o período mais adequado para cada plantio.

Esse modelo pode contribuir para reduzir os riscos associados à dependência de uma única safra e proporcionar entradas de receita em diferentes momentos do ano.

Apoio também leva produção até mais de 30 feiras

Um dos desafios da agricultura familiar ocorre depois que o alimento está pronto para ser comercializado: fazer a produção sair dos ramais e chegar ao consumidor.

Segundo a Secretaria Municipal de Agropecuária, a Prefeitura também atua nessa etapa.

Eracides afirma que o município presta assistência aos agricultores que comercializam seus produtos em mais de 30 feiras, disponibilizando caminhões para buscar a produção na zona rural e levá-la até a cidade.

O apoio inclui ainda o transporte dos próprios agricultores, montagem das bancas para comercialização e retorno às propriedades, sem cobrança aos produtores atendidos.

Segundo o secretário, quase toda a assistência técnica realizada atualmente pela pasta na zona rural também é oferecida sem custos ao produtor.

Essa estrutura é relevante porque o custo logístico pode representar uma barreira importante para pequenas propriedades, sobretudo em uma capital amazônica marcada por longas distâncias rurais e pela necessidade de deslocamento através de ramais.

Produção local também influencia abastecimento da cidade

Para a gestão municipal, os investimentos na agricultura familiar possuem efeitos que ultrapassam a geração de renda nas propriedades.

O aumento da produção local amplia a quantidade de alimentos que chega às feiras e pode encurtar a distância entre produtor e consumidor.

Eracides relaciona diretamente o apoio público ao abastecimento da capital, argumentando que a produção dentro do próprio município contribui para aumentar a oferta de alimentos ao consumidor.

No Ramal Guinoá, esse ciclo aparece de maneira concreta: máquinas e insumos auxiliam o plantio; a família produz e diversifica as culturas; e o poder público também presta apoio para que parte dessa produção percorra os ramais até chegar às feiras de Rio Branco.

Com a atual colheita de melancia chegando ao fim e o plantio de milho verde no horizonte, a família pretende manter esse modelo de alternância produtiva, enquanto a hidroponia sustenta a produção de hortaliças ao longo do ano.

O caso evidencia como políticas de mecanização, assistência técnica, fornecimento de insumos e apoio logístico podem atuar conjuntamente sobre diferentes gargalos enfrentados pela agricultura familiar — da preparação da terra à chegada do alimento ao mercado consumidor.

By emprezaz

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