Desmatamento em áreas protegidas da Amazônia cai 17% e atinge menor nível desde 2008

Dados do INPE apontam redução histórica da perda de vegetação em unidades de conservação federais. Apesar do avanço, cinco áreas protegidas concentram 69% do desmatamento, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre.

O desmatamento dentro das unidades de conservação federais da Amazônia Legal atingiu, em 2026, o menor nível desde o início da série histórica, em 2008. Foram registrados 111 quilômetros quadrados (km²) de vegetação desmatada, uma redução de 17% em comparação com 2025, quando a área atingida chegou a 134 km².

Os dados são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e foram analisados pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O levantamento foi divulgado pelo ICMBio em 23 de outubro e repercutido pelo portal ((o))eco na quarta-feira (28).

A redução acompanha uma tendência mais ampla de diminuição da derrubada de vegetação na Amazônia Legal, que também registrou o menor índice de desmatamento de sua série histórica, iniciada em 1988.

Apesar dos resultados positivos, o monitoramento demonstra que determinadas áreas protegidas continuam enfrentando pressões significativas, especialmente no Pará e no Acre.

Desmatamento em áreas protegidas diminuiu 82% desde 2021

A redução observada em 2026 representa uma mudança expressiva em relação aos índices registrados nos últimos anos.

Em 2021, as unidades de conservação federais da Amazônia Legal tiveram 618 km² de vegetação desmatada, o maior valor identificado desde o início do monitoramento, em 2008.

Cinco anos depois, a área atingida caiu para 111 km², uma redução acumulada de aproximadamente 82%.

Segundo o ICMBio, os resultados refletem o fortalecimento das atividades de monitoramento, a identificação das regiões sob maior pressão ambiental e a realização de operações de fiscalização.

O coordenador-geral de Proteção do instituto, Ricardo Brochado, destacou que os números representam uma reversão da tendência de crescimento observada entre 2019 e 2022.

A partir de 2023, os registros passaram a apresentar reduções sucessivas.

Para o coordenador, o desempenho está relacionado ao trabalho técnico desenvolvido pelos servidores responsáveis pela proteção das unidades de conservação, além das condições institucionais necessárias à execução das atividades de fiscalização.

O monitoramento por satélite permite identificar áreas com maior incidência de desmatamento e orientar a atuação das equipes responsáveis pela proteção ambiental.

Amazônia Legal registra queda de 41,81% no desmatamento

A redução nas unidades de conservação federais ocorre em um contexto de diminuição do desmatamento em toda a Amazônia Legal.

De acordo com o INPE, a área desmatada na região caiu para 3.335 km² em 2026, uma redução de 41,81% em relação ao período anterior.

O resultado representa o menor índice da série histórica do PRODES, iniciada em 1988.

Do total de vegetação desmatada na Amazônia Legal, aproximadamente 3,3% estavam localizados dentro de unidades de conservação federais.

Os dados reforçam a importância dessas áreas para a manutenção da cobertura florestal e a proteção da biodiversidade amazônica.

Atualmente, o ICMBio administra cerca de 150 unidades de conservação federais na Amazônia, responsáveis pela proteção de mais de 64 milhões de hectares.

Esses territórios incluem diferentes categorias de proteção, como parques nacionais, florestas nacionais, áreas de proteção ambiental e reservas extrativistas.

Além da conservação da vegetação, muitas dessas unidades desempenham papel fundamental na proteção dos modos de vida de populações tradicionais que dependem dos recursos naturais para sua subsistência.

Cinco unidades concentram 69% do desmatamento

Apesar da redução histórica, o levantamento identificou que a perda de vegetação permanece concentrada em determinadas áreas protegidas.

Segundo os dados do PRODES, cinco unidades de conservação federais responderam por aproximadamente 69% de todo o desmatamento registrado nesses territórios em 2026.

A Floresta Nacional de Altamira, no Pará, apresentou a maior área desmatada, com 27,8 km².

Em seguida, aparece a Área de Proteção Ambiental do Tapajós, também no Pará, com 16,2 km².

A Reserva Extrativista Chico Mendes, localizada no Acre, ocupa a terceira posição, com 15,2 km² de vegetação desmatada.

A lista inclui ainda a Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, com 12,1 km², e o Parque Nacional do Juruena, situado entre Mato Grosso e Amazonas, com 5,4 km².

Juntas, essas cinco unidades registraram aproximadamente 76 km² de desmatamento.

A concentração dos registros demonstra que, embora os indicadores gerais tenham melhorado, algumas áreas continuam exigindo atenção especial das autoridades ambientais.

Reserva Extrativista Chico Mendes está entre as áreas mais pressionadas

No Acre, a presença da Reserva Extrativista Chico Mendes entre as cinco unidades federais com maiores áreas desmatadas chama atenção para os desafios da conservação ambiental no estado.

Criada para conciliar a proteção da floresta com a permanência e os modos de vida das populações extrativistas, a unidade representa um território de importância ambiental, social e histórica.

Em 2026, o PRODES identificou 15,2 km² de desmatamento dentro de seus limites.

O número coloca a reserva na terceira posição entre as unidades de conservação federais da Amazônia Legal com maiores áreas de vegetação desmatada no período analisado.

O levantamento divulgado pelo ICMBio não detalha, nesse recorte, as causas específicas da perda de vegetação registrada na unidade acreana.

Por isso, a identificação dos fatores responsáveis pelos desmatamentos depende de análises complementares e das atividades de fiscalização desenvolvidas pelos órgãos competentes.

A situação evidencia a necessidade de manter ações de monitoramento e proteção territorial, especialmente em áreas que conciliam conservação ambiental e atividades econômicas tradicionais.

Fiscalização e monitoramento são apontados como fatores para redução

O ICMBio atribui parte dos resultados ao fortalecimento do trabalho técnico realizado pelas equipes de proteção ambiental.

Entre as estratégias utilizadas estão o monitoramento geoespacial, a identificação de áreas prioritárias e as operações de fiscalização realizadas remotamente e em campo.

Essas ferramentas permitem acompanhar a evolução do desmatamento e direcionar os esforços de proteção para os territórios mais pressionados.

Segundo Ricardo Brochado, a continuidade das ações depende da valorização do conhecimento técnico e da manutenção de condições adequadas para o trabalho dos servidores públicos.

A utilização de imagens de satélite também contribui para identificar alterações na cobertura vegetal e subsidiar decisões relacionadas à gestão das unidades de conservação.

Além da fiscalização, o planejamento ambiental envolve medidas de prevenção, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento da presença institucional nos territórios protegidos.

A redução observada desde 2023 indica avanços importantes, mas não elimina a necessidade de acompanhamento permanente.

Cerrado também registra queda no desmatamento

O levantamento do ICMBio também identificou redução da perda de vegetação nas unidades de conservação federais do Cerrado.

Em 2026, foram registrados 47 km² de desmatamento em 29 unidades protegidas, uma diminuição de 8% em comparação com os 51 km² contabilizados no ano anterior.

No conjunto do bioma, a área desmatada chegou a aproximadamente 5.517 km², representando queda de 23,75% em relação a 2025.

As unidades de conservação federais responderam por cerca de 0,9% do desmatamento registrado no Cerrado.

Assim como na Amazônia, a perda de vegetação ficou concentrada em um grupo restrito de áreas protegidas.

Cinco unidades responderam por 71% do desmatamento identificado dentro das unidades federais do bioma.

Entre elas estão as áreas de proteção ambiental Serra da Ibiapaba, Cavernas do Peruaçu, Nascentes do Rio Vermelho, Planalto Central e Delta do Parnaíba.

Os resultados demonstram que a redução do desmatamento alcançou diferentes regiões do país, embora persistam desafios relacionados à proteção de áreas específicas.

Queda histórica reforça importância da proteção ambiental

A redução do desmatamento nas unidades de conservação federais representa um avanço para a proteção da biodiversidade e a manutenção dos serviços ambientais prestados pelas florestas.

Na Amazônia, a preservação da cobertura vegetal contribui para a regulação do clima, a conservação dos recursos hídricos e a manutenção dos territórios utilizados por comunidades tradicionais.

Entretanto, os resultados também demonstram que a proteção ambiental exige ações contínuas.

Mesmo com a queda de 17% em relação ao ano anterior, mais de 100 km² de vegetação foram desmatados dentro das unidades de conservação federais da Amazônia Legal em 2026.

A concentração de grande parte dessa perda em apenas cinco áreas evidencia a importância de estratégias de fiscalização direcionadas aos territórios mais vulneráveis.

Para os próximos anos, o desafio será manter a tendência de redução, fortalecer as estruturas responsáveis pela proteção ambiental e ampliar as medidas de conservação.

O desempenho registrado em 2026 demonstra o potencial das políticas de monitoramento e fiscalização, mas também reforça que a preservação da Amazônia depende de esforços permanentes para impedir novas perdas de vegetação.

By emprezaz

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