Desmatamento na Amazônia recua 31% em dez meses, aponta monitoramento do Imazon

Redação Planeta Amazônia

O desmatamento na Amazônia registrou queda de 31% nos dez primeiros meses do atual calendário de monitoramento florestal. Dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) apontam que, entre agosto de 2025 e maio de 2026, foram desmatados 1.949 quilômetros quadrados de floresta, uma redução de 876 km² em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando a área devastada alcançou 2.825 km². Apesar da melhora, a extensão de floresta perdida ainda supera a área territorial da cidade de São Paulo.

As informações são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), ferramenta de monitoramento por satélite utilizada pelo Imazon desde 2008. Diferentemente de outros indicadores, o sistema adota o chamado “calendário do desmatamento”, que considera o período de agosto a julho, acompanhando o comportamento climático da Amazônia e permitindo análises mais precisas da dinâmica da devastação florestal.

Segundo o pesquisador do Imazon, Carlos Souza Jr., os números indicam uma tendência positiva, mas exigem continuidade das ações de fiscalização durante os meses mais críticos do ano.

“Faltando apenas dois meses para o fechamento do calendário, é fundamental garantir a continuidade das ações de controle do desmate para que essa trajetória de diminuição seja mantida”, afirmou o pesquisador.

Maio interrompe sequência de queda

Apesar da redução acumulada no período, o levantamento revela que o mês de maio apresentou aumento da devastação. Foram registrados 313 km² de floresta desmatada, crescimento de 6% em relação aos 295 km² observados em maio de 2025.

Segundo o Imazon, a área perdida em apenas um mês equivale à destruição de mais de mil campos de futebol por dia, sinalizando que o avanço da estação seca continua favorecendo o aumento das pressões sobre a floresta.

Pará concentra maior parte da devastação

O Pará permaneceu como o estado com maior área desmatada em maio, respondendo por 34% de toda a devastação registrada na Amazônia Legal. Na sequência aparecem Mato Grosso, com 29%, e Amazonas, com 19%. Juntos, os três estados concentraram 82% do desmatamento detectado no período.

Entre os municípios, Altamira (PA) liderou o ranking, seguido por Barra do Corda (MA), Colniza (MT), Itaituba (PA) e Apuí (AM). O Pará também concentrou cinco das dez unidades de conservação mais desmatadas do mês, incluindo a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, que voltou a ocupar a primeira posição do levantamento.

Degradação florestal despenca

Além da redução do desmatamento, o estudo aponta uma queda ainda mais expressiva na degradação florestal — processo causado principalmente por queimadas e exploração madeireira.

Entre agosto de 2025 e maio de 2026, foram registrados 2.376 km² de áreas degradadas, uma redução de 93% em comparação aos 34.520 km² contabilizados no mesmo intervalo do ciclo anterior.

Somente em maio, a degradação caiu 94%, passando de 679 km² para 40 km². Mato Grosso concentrou 78% da área degradada registrada no mês.

Fiscalização continua sendo decisiva

Especialistas destacam que os dados reforçam a importância das operações de fiscalização e monitoramento contínuo, sobretudo durante o período de estiagem, quando historicamente ocorre aumento das derrubadas e das queimadas na Amazônia.

Os resultados divulgados pelo Imazon dialogam com outros levantamentos recentes. Dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), também apontaram redução expressiva dos alertas de desmatamento em maio e indicam que o atual ciclo poderá registrar um dos menores índices da série histórica caso a tendência seja mantida até o encerramento do calendário florestal.

Embora os indicadores revelem avanços importantes, pesquisadores ressaltam que a Amazônia continua sob forte pressão provocada pela expansão ilegal da fronteira agropecuária, pela grilagem de terras, mineração clandestina e exploração madeireira. Para eles, manter a redução dependerá da continuidade das ações de fiscalização, da proteção das áreas públicas e do fortalecimento das políticas de conservação ambiental.

By emprezaz

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