Operação concentra esforços em três unidades de conservação federais. Na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, pelo menos seis casas foram destruídas e famílias enfrentam prejuízos provocados pelo avanço das chamas.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) mobilizou 127 brigadistas e helicópteros para combater incêndios florestais que atingem três unidades de conservação federais no Pará. A operação, divulgada na sexta-feira (16), é coordenada a partir de uma central instalada em Itaituba, no sudoeste do estado, responsável pelo monitoramento dos focos de incêndio e pela organização das equipes de combate.
As ações estão concentradas no Parque Nacional da Amazônia, na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio e na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. As três áreas enfrentam ocorrências de fogo que ameaçam a vegetação nativa e, em determinadas localidades, colocam em risco a segurança das comunidades tradicionais.
A situação é especialmente preocupante na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, onde as chamas atingiram moradias, plantações e áreas de floresta. Segundo informações do Instituto Socioambiental (ISA), pelo menos seis residências foram destruídas, deixando famílias com perdas materiais e comprometendo atividades essenciais à subsistência dos moradores.
Incêndio no Riozinho do Anfrísio ameaça comunidades tradicionais
Localizada na região da Terra do Meio, a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio abriga comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais para alimentação, moradia e geração de renda.
O incêndio foi identificado em 7 de outubro por uma plataforma de monitoramento da Agência Espacial Norte-Americana (Nasa). Desde então, moradores têm se mobilizado para tentar conter o avanço das chamas e proteger suas propriedades.
Entretanto, as condições de estiagem dificultam o deslocamento das equipes e o acesso às localidades atingidas, aumentando os desafios das operações de combate.
Além das casas destruídas, o fogo atingiu áreas de cultivo e trechos de floresta utilizados pelas comunidades. A perda dessas áreas representa um impacto que ultrapassa os danos imediatos, uma vez que compromete a produção de alimentos e atividades extrativistas.
A situação exige não apenas medidas emergenciais de combate ao fogo, mas também assistência às famílias afetadas e estratégias de recuperação das condições de subsistência.
Helicópteros e monitoramento em tempo real reforçam operação
Para ampliar a capacidade de resposta, o ICMBio estruturou uma sala de situação em Itaituba, onde técnicos acompanham os focos de incêndio em tempo real e coordenam o deslocamento dos brigadistas.
O monitoramento permite identificar áreas prioritárias e direcionar equipes e equipamentos conforme a evolução das ocorrências.
Os helicópteros desempenham papel importante na operação, especialmente em regiões de difícil acesso terrestre ou fluvial. As aeronaves possibilitam o transporte mais rápido de profissionais e materiais, além de apoiar o planejamento das ações em campo.
De acordo com o presidente do ICMBio, Mauro Pires, o apoio aéreo contribui para tornar mais eficiente a distribuição das equipes nas áreas atingidas.
O dirigente também atribuiu os incêndios à ação humana e alertou para os riscos que essas ocorrências representam ao patrimônio natural e à segurança das populações que vivem nas unidades de conservação.
Embora as condições climáticas favoreçam a propagação das chamas, a origem específica dos primeiros focos registrados na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio ainda estava sob investigação, segundo informações divulgadas pela Rede de Notícias da Amazônia.
Defesa Civil prepara assistência às famílias atingidas
Paralelamente às operações de combate aos incêndios, o ICMBio iniciou articulações com órgãos municipais para garantir atendimento às famílias prejudicadas.
A Defesa Civil de Altamira disponibilizou kits de ajuda humanitária destinados aos moradores afetados. O transporte dos materiais deverá ser realizado com apoio dos helicópteros mobilizados para a operação.
O instituto também encaminhou um ofício à Secretaria Municipal de Assistência Social de Altamira, comunicando a situação das comunidades e solicitando a adoção de medidas conjuntas para minimizar os prejuízos.
A assistência é considerada necessária diante da destruição de residências, da perda de plantações e das dificuldades enfrentadas por famílias que vivem em localidades isoladas.
O atendimento emergencial busca assegurar condições básicas às populações atingidas, enquanto as equipes ambientais trabalham para controlar os incêndios.
Estiagem mantém elevado o risco de propagação do fogo
O ICMBio alertou que as condições de estiagem continuam favorecendo a propagação dos incêndios nas unidades de conservação do Pará.
A vegetação ressecada, associada à redução da umidade e às dificuldades de acesso a determinadas áreas, pode contribuir para que focos inicialmente localizados se espalhem rapidamente.
Diante desse cenário, o instituto orienta a população a evitar o uso do fogo durante o período seco, especialmente em atividades de limpeza de terrenos e manejo de áreas rurais.
Os incêndios florestais provocam consequências que vão além da destruição imediata da vegetação. A fumaça compromete a qualidade do ar, enquanto a perda de áreas florestais afeta a biodiversidade e os recursos utilizados pelas comunidades tradicionais.
A mobilização de brigadistas e aeronaves busca conter as ocorrências e reduzir os danos ambientais e sociais. Até as informações divulgadas em 16 de outubro, não havia confirmação de que todos os incêndios nas três unidades de conservação estivessem controlados.
A situação reforça a importância do monitoramento permanente, da prevenção e da atuação integrada entre instituições ambientais, órgãos de emergência e comunidades locais para proteger os territórios amazônicos.

