Redação Planeta Amazônia
Lideranças indígenas apresentaram ao Ministério das Relações Exteriores uma proposta para a criação de áreas livres de exploração de petróleo e gás no Brasil. A iniciativa foi entregue durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, e busca inserir os territórios indígenas no centro das estratégias globais de enfrentamento à crise climática.
O documento propõe a criação das chamadas “Zonas Livres de Combustíveis Fósseis”, que seriam regiões protegidas contra a exploração em áreas de alta relevância ecológica e cultural. A proposta também dialoga com debates internacionais e pretende influenciar negociações climáticas globais.
O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, destacou que a transição energética precisa considerar os direitos territoriais. “Não há transição energética justa sem a garantia dos nossos territórios”, afirmou.
Além da criação dessas zonas, o documento defende o fim da abertura de novos campos de exploração de petróleo, gás e carvão, bem como a construção de um acordo global para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.
Segundo as lideranças, a crise climática já impacta diretamente áreas como produção de alimentos, saúde e segurança econômica. Nesse contexto, os territórios indígenas são apontados como fundamentais para a proteção da biodiversidade e a estabilidade climática.
A proposta também reforça a necessidade de garantir o direito à consulta livre, prévia e informada às comunidades indígenas em decisões que envolvam seus territórios, além de reconhecer o papel dessas populações na conservação ambiental.
Experiências internacionais são citadas como referência, como a decisão do Equador de encerrar a exploração de petróleo no Parque Nacional Yasuní. Para os indígenas, iniciativas desse tipo demonstram que é possível avançar na proteção ambiental com base em novos modelos de desenvolvimento.
Dados apresentados no documento indicam que terras indígenas apresentam taxas significativamente menores de desmatamento, reforçando seu papel estratégico na preservação dos ecossistemas.

A mobilização reúne milhares de participantes e ocorre em um momento de intensificação dos debates sobre transição energética, exploração de recursos naturais e direitos territoriais no Brasil.
Especialistas apontam que a proposta amplia a pressão por uma revisão do modelo energético global, ao mesmo tempo em que reforça o protagonismo dos povos indígenas na agenda climática internacional

