Redaçao Planeta Amazônia
O Tocantins iniciou a implementação de um plano de revezamento no uso da água na bacia do Rio Formoso, como estratégia para enfrentar o período de estiagem e garantir o equilíbrio hídrico na região. A medida foi elaborada pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), em parceria com o Comitê da Bacia Hidrográfica e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
O plano define regras operacionais para a captação de água nos rios Formoso, Urubu, Dueré e Xavante, priorizando a distribuição equilibrada entre os usuários e a preservação dos mananciais. A proposta surge em um contexto de alta demanda por irrigação, especialmente no setor agrícola, e busca evitar a sobrecarga dos recursos hídricos.
Segundo o gerente de Controle e Uso dos Recursos Hídricos do Naturatins, Victor Menezes, a estratégia estabelece limites claros para o uso diário. “A medida busca garantir que apenas um terço das captações funcione por dia, evitando a sobrecarga dos rios e assegurando a disponibilidade de água tanto para o meio ambiente quanto para as próximas safras”, afirmou.
O sistema funciona por meio de rodízio entre usuários outorgados, organizados em três grupos identificados por cores. Esses grupos se alternam em ciclos de 48 horas, podendo evoluir para períodos de 24 horas conforme o aumento da demanda. Também estão previstos dias de recuperação, sem captação, para recomposição dos níveis dos rios.
O acionamento do plano ocorre de forma automática, com base em dados de monitoramento telemétrico dos rios. Quando os níveis atingem a chamada “cota de atenção”, o sistema entra em vigor. O cronograma prevê início em junho e encerramento até agosto, acompanhando o período mais crítico da estiagem, conforme indicado no documento da página 1.
Para participar do revezamento, os usuários precisam atender a critérios específicos, como possuir outorga vigente, autorização para captação no período de estiagem e sistema de monitoramento remoto ativo. Aqueles que não atenderem às exigências ficam impedidos de captar água durante o período.
A medida também busca ampliar a eficiência da gestão hídrica no estado. Segundo o Naturatins, o monitoramento permitirá considerar não apenas o nível dos rios, mas também o volume efetivo de água disponível e a capacidade dos reservatórios, tornando a gestão mais precisa.
Especialistas apontam que iniciativas desse tipo refletem uma tendência crescente de adaptação às mudanças climáticas, especialmente em regiões onde a pressão sobre os recursos hídricos é elevada. O uso racional da água, aliado a sistemas de monitoramento e planejamento, tem sido considerado essencial para garantir segurança hídrica e sustentabilidade produtiva.

