A promoção da autonomia econômica das mulheres indígenas tem ganhado força no Acre por meio de uma parceria entre o Instituto de Empoderamento e Sustentabilidade Amazônica (Iesa) e o Governo do Estado. Liderada por Patrícia Kambeba Cruz, diretora executiva da organização, a iniciativa amplia o acesso de mulheres indígenas, moradoras da zona rural e da área urbana a cursos profissionalizantes gratuitos, incentivando o empreendedorismo, a geração de renda e o fortalecimento do protagonismo feminino nas comunidades tradicionais.
A ação é desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher (Semulher), por meio do programa Impacta Mulher, e conta ainda com o apoio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e de prefeituras municipais, responsáveis por auxiliar na mobilização das participantes e na realização das capacitações.
Segundo Patrícia Kambeba Cruz, a iniciativa busca criar oportunidades para que as mulheres conquistem independência financeira sem abrir mão de sua identidade cultural.
“Eu me sinto uma mulher indígena empoderada. E quero levar muitas mulheres a se sentirem assim”, afirma a liderança indígena, que atua na promoção da autonomia feminina em comunidades tradicionais da Amazônia.
Cursos estimulam empreendedorismo e inclusão produtiva
Mais de 100 mulheres já participaram das capacitações acompanhadas pelo instituto, e novas turmas continuam sendo formadas em diferentes municípios acreanos.
Entre os cursos oferecidos estão customização de sandálias, customização de camisetas, produção de bolos e tortas, design de sobrancelhas e outras formações voltadas ao empreendedorismo e à geração de renda. O objetivo é oferecer alternativas de trabalho para mulheres que muitas vezes enfrentam dificuldades de inserção no mercado formal.
Além do aprendizado técnico, as participantes recebem orientações para transformar os conhecimentos adquiridos em oportunidades de negócio, fortalecendo pequenos empreendimentos familiares e ampliando a autonomia financeira.
Fortalecimento das comunidades indígenas
Patrícia Kambeba destaca que investir na qualificação profissional das mulheres indígenas significa também fortalecer as comunidades onde elas vivem.
Segundo a diretora do Iesa, a autonomia econômica contribui para ampliar a participação feminina nas decisões comunitárias, reduzir situações de vulnerabilidade social e valorizar os conhecimentos tradicionais.
“Promover a autonomia econômica das mulheres indígenas é reconhecer sua força, seus saberes e o papel fundamental que desempenham no desenvolvimento de suas comunidades. O Programa Impacta Mulher representa uma oportunidade concreta para ampliar o acesso ao mercado de trabalho, à geração de renda e fortalecer o protagonismo feminino nas comunidades, sempre com respeito à identidade cultural e às tradições de cada povo”, ressaltou.
Política pública voltada à inclusão
O Impacta Mulher, coordenado pela Semulher, integra as políticas públicas do Governo do Acre voltadas ao fortalecimento da autonomia econômica feminina. O programa busca ampliar o acesso à qualificação profissional, estimular o empreendedorismo e criar oportunidades de inclusão produtiva para mulheres em situação de vulnerabilidade social.
Ao incluir comunidades indígenas, rurais e tradicionais, a iniciativa amplia o alcance dessas políticas e contribui para reduzir desigualdades históricas de acesso à educação profissional e ao mercado de trabalho.
Capacitação impulsiona desenvolvimento sustentável
Especialistas apontam que programas de qualificação profissional voltados às mulheres têm impactos que vão além da geração de renda. Eles contribuem para o fortalecimento das economias locais, promovem maior segurança alimentar, estimulam o empreendedorismo comunitário e ampliam a participação feminina nos espaços de decisão.
No contexto amazônico, iniciativas como a desenvolvida pelo Iesa também ajudam a valorizar os saberes tradicionais e demonstram que inclusão social, respeito às identidades culturais e desenvolvimento sustentável podem caminhar juntos.
Com novas turmas previstas para os próximos meses, a expectativa é ampliar o número de mulheres beneficiadas e fortalecer uma rede de empreendedorismo feminino indígena capaz de gerar oportunidades sem romper os vínculos culturais e comunitários que caracterizam os povos da floresta.

