Redação Planeta Amazônia
Agricultores familiares, extrativistas, cooperativas, associações e negócios ligados à sociobiodiversidade de Tabatinga, no Amazonas, e Marabá, no Pará, serão os primeiros participantes do Raiz Empreendedora, novo programa gratuito criado para fortalecer empreendimentos a partir das potencialidades econômicas e sociais de diferentes territórios da Amazônia.
Realizada pelo EcoAm, com apoio do Fundo Vale, a iniciativa combina capacitação, acompanhamento e articulação de redes para desenvolver competências de gestão e planejamento, estimular a inovação, ampliar o uso de ferramentas digitais e aproximar empreendedores de mercados e possíveis parceiros.
As primeiras atividades presenciais já têm data marcada. Em Tabatinga, serão realizadas nos dias 18 e 19 de agosto, das 9h às 17h, no Sebrae. Em Marabá, os encontros ocorrerão em 2 e 3 de setembro, também das 9h às 17h, na Estação Conhecimento.
Programa parte da realidade de cada território
A proposta do Raiz Empreendedora vai além de oferecer uma capacitação convencional. A metodologia prevê uma jornada construída a partir das condições concretas encontradas pelos participantes e das características econômicas, sociais e culturais de cada região.
O programa pretende desenvolver habilidades de gestão e planejamento, estimular soluções inovadoras para problemas locais, incentivar a utilização de ferramentas digitais e ampliar redes de colaboração.
Ao mesmo tempo, conhecimentos tradicionais, cultura e potenciais econômicos dos territórios são incorporados ao processo. A intenção é evitar a aplicação de um modelo único a realidades amazônicas distintas e compreender quais atividades, cadeias produtivas e oportunidades possuem maior aderência em cada localidade.
A metodologia está organizada em diferentes etapas. O processo começa com mobilização e preparação dos participantes e avança para encontros presenciais voltados ao autoconhecimento, identificação dos desafios dos negócios e construção coletiva de soluções.
Depois dessa fase, os participantes passam por um período de experimentação prática, acompanhado pela equipe do programa. A jornada termina com o compartilhamento dos aprendizados e dos resultados alcançados.
Cadeias produtivas e oportunidades serão mapeadas
Além da formação individual dos participantes, o Raiz Empreendedora pretende produzir um diagnóstico mais amplo da economia dos territórios onde estiver presente.
Em cada região, serão mapeados produtos, cadeias produtivas e iniciativas empreendedoras, além das principais dificuldades enfrentadas pelos negócios locais.
Entre os obstáculos que deverão ser identificados estão problemas relacionados ao acesso a mercados, financiamento, logística e capacitação.
Para Washington Silva, gerente do EcoAm, esse diagnóstico permitirá compreender melhor as vocações econômicas de cada localidade e fortalecer a articulação com organizações, instituições e lideranças presentes nos territórios.
“Além da formação, o Raiz Empreendedora também atua na identificação de oportunidades para o fortalecimento da bioeconomia local.”
Segundo Silva, o mapeamento das cadeias produtivas e dos desafios enfrentados pelos empreendedores permitirá estruturar uma atuação conectada às particularidades de cada região.
Tabatinga terá parceria com o Sebrae
Em Tabatinga, o programa contará com parceria local do Sebrae, que também sediará os primeiros encontros presenciais.
A escolha do município amazonense coloca a iniciativa em uma região estratégica da Amazônia, onde atividades ligadas à floresta, aos rios e às cadeias da sociobiodiversidade convivem com desafios de logística e acesso aos grandes mercados consumidores.
Já em Marabá, no sudeste do Pará, as atividades presenciais serão realizadas na Estação Conhecimento, no bairro São Félix. As duas cidades funcionarão como os primeiros territórios de implantação da metodologia.
Iniciativa busca construir rede de confiança nos territórios
O Raiz Empreendedora integra uma estratégia mais ampla de atuação territorial do EcoAm. Segundo o material de apresentação, o programa representa o primeiro passo para a presença da organização em novos territórios amazônicos.
A proposta é estabelecer relações com empreendedores e instituições locais antes de estruturar novas ações.
Esse processo inclui compreender as especificidades econômicas e sociais de cada região, identificar lideranças e organizações que já atuam nos territórios e criar condições para iniciativas futuras relacionadas à bioeconomia e ao empreendedorismo de impacto.
A abordagem procura enfrentar um dos desafios recorrentes da bioeconomia amazônica: transformar a diversidade de produtos e conhecimentos existentes na região em atividades capazes de gerar renda de maneira estruturada, com acesso a financiamento, gestão, logística, mercados e redes comerciais.
Produtos da floresta ilustram potencial da bioeconomia
O próprio material de divulgação encaminhado à imprensa reforça visualmente essa relação entre território e economia.
As páginas 3 e 4 apresentam registros de ambientes florestais, rios e produtos da sociobiodiversidade, além do transporte fluvial característico de diferentes áreas amazônicas. Entre as imagens estão sementes e frutos, embarcações carregadas com produtos e paisagens ribeirinhas.
Os registros dialogam diretamente com o público pretendido pelo programa: produtores, extrativistas, organizações coletivas e empreendimentos cuja atividade econômica está relacionada aos recursos e conhecimentos existentes nos próprios territórios.
Nesse contexto, fortalecer a bioeconomia não depende somente de identificar produtos com potencial comercial. O desafio envolve também construir capacidades para que produtores e organizações consigam planejar seus negócios, acessar mercados, superar dificuldades logísticas e estabelecer relações comerciais mais consistentes.
Inscrições estão abertas para as primeiras turmas
Os interessados nas primeiras edições já podem realizar as inscrições. Em Tabatinga, os encontros ocorrerão nos dias 18 e 19 de agosto, das 9h às 17h, no Sebrae, localizado na Avenida da Amizade, 75, Centro.
Em Marabá, a programação será nos dias 2 e 3 de setembro, das 9h às 17h, na Estação Conhecimento, na Avenida Vale, s/n, Loteamento Vale do Tocantins, São Félix.
A expectativa é que as experiências desenvolvidas nas duas cidades também ajudem a estabelecer as bases para a expansão da iniciativa a outros territórios.
Ao combinar capacitação com diagnóstico econômico e articulação local, o Raiz Empreendedora pretende atuar sobre diferentes etapas necessárias para transformar iniciativas da sociobiodiversidade em negócios mais estruturados — sem dissociá-los dos conhecimentos, da cultura e das vocações econômicas das comunidades amazônicas.

