Redação Planeta Amazônia
Mesmo diante do aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor registradas nos últimos anos, a maioria dos municípios brasileiros ainda não possui estratégias estruturadas para proteger a população dos efeitos das temperaturas extremas. Um estudo divulgado pela presidência brasileira da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta que 66% das cidades do país não iniciaram ou estão apenas nos primeiros estágios de elaboração de planos de ação para calor extremo.
O levantamento acende um alerta para a capacidade de adaptação dos centros urbanos brasileiros em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais evidentes. O tema ganha relevância justamente em um momento em que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê temperaturas acima da média em grande parte do país durante o mês de junho.
Calor extremo já é tratado como risco climático crescente
Segundo especialistas, as ondas de calor deixaram de ser eventos isolados para se tornar uma ameaça recorrente à saúde pública, à infraestrutura urbana e à qualidade de vida da população.
O estudo classificou os municípios em diferentes níveis de preparação. Apenas uma parcela reduzida das cidades brasileiras possui políticas consolidadas para lidar com episódios de calor extremo, enquanto a maioria ainda carece de protocolos de emergência, sistemas de alerta e estratégias de proteção para grupos vulneráveis.
Entre as medidas consideradas essenciais estão a criação de centros de resfriamento, ampliação da arborização urbana, instalação de pontos de hidratação, sistemas de alerta antecipado e adaptação de serviços de saúde para períodos de temperaturas elevadas.
Populações vulneráveis são as mais afetadas
Os impactos do calor extremo atingem toda a população, mas tendem a ser mais severos entre idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e moradores de áreas urbanas densamente ocupadas.
Especialistas alertam que temperaturas elevadas podem provocar desidratação, agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, além de aumentar a mortalidade em períodos prolongados de calor intenso.
Além dos efeitos sobre a saúde, o calor extremo também influencia o consumo de energia elétrica, a disponibilidade hídrica e a produtividade econômica em diversos setores.
Mudanças climáticas ampliam frequência dos eventos
O alerta ocorre em meio a um contexto de aquecimento global cada vez mais evidente. Pesquisa divulgada recentemente mostrou que 85% dos brasileiros já percebem impactos das mudanças climáticas em seu cotidiano, e quase metade considera esses efeitos intensos.
Dados meteorológicos também indicam uma tendência de aumento das temperaturas médias no país. O Inmet informou que o verão de 2024/2025 foi o sexto mais quente registrado no Brasil desde o início da série histórica, em 1961.
Segundo os pesquisadores, o avanço das mudanças climáticas torna cada vez mais urgente o fortalecimento das políticas de adaptação urbana.
Cidades brasileiras ainda enfrentam déficit de planejamento climático
A falta de preparação para eventos extremos não se limita ao calor. Estudos anteriores já mostravam que boa parte das capitais brasileiras ainda não possuía planos completos de enfrentamento às mudanças climáticas e seus impactos, como enchentes, secas, deslizamentos e ondas de calor.
Especialistas defendem que os municípios incorporem a adaptação climática ao planejamento urbano, incluindo ações voltadas à expansão de áreas verdes, melhoria da drenagem, preservação de recursos hídricos e redução das chamadas ilhas de calor.
As ilhas de calor ocorrem principalmente em regiões altamente urbanizadas, onde o excesso de concreto e a falta de vegetação elevam significativamente as temperaturas em relação às áreas vizinhas.
COP30 deve ampliar debate sobre adaptação climática
A divulgação do estudo ocorre poucos meses antes da realização da COP30, que será sediada em Belém, no Pará. A conferência deverá colocar em evidência não apenas a redução das emissões de gases de efeito estufa, mas também as estratégias necessárias para adaptação das cidades aos efeitos já observados das mudanças climáticas.
Organismos internacionais alertam que eventos extremos, incluindo ondas de calor, tendem a se tornar mais frequentes e intensos nas próximas décadas. Nesse cenário, especialistas defendem que os municípios brasileiros acelerem a implementação de planos específicos para proteger a população e aumentar a resiliência urbana.
Calor já desafia planejamento urbano
Com junho registrando temperaturas acima da média em grande parte do país, o estudo reforça que a adaptação climática deixou de ser uma agenda futura e passou a ser uma necessidade imediata para os gestores públicos.
Para especialistas, o desafio não é apenas responder aos eventos extremos quando eles acontecem, mas preparar as cidades para conviver com um clima cada vez mais quente nas próximas décadas.

