Mortes por desnutrição caem 75,7% na Terra Yanomami no primeiro semestre de 2026

Redação Planeta Amazônia

As mortes por desnutrição na Terra Indígena Yanomami caíram 75,7% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2023, quando foi declarada Emergência em Saúde Pública no território. Os números foram divulgados pelo Ministério da Saúde durante visita técnica realizada à região nesta semana.

Os indicadores mostram melhora também em outras áreas. Considerando todas as causas, foram registrados 158 óbitos entre janeiro e junho deste ano, contra 224 no mesmo intervalo de 2023 — redução de 29,5%. As mortes relacionadas a infecções respiratórias agudas diminuíram 40,8%.

Outro dado de destaque é a malária. Embora a doença continue sendo um dos principais desafios sanitários enfrentados no território, nenhuma morte por malária foi registrada durante os primeiros seis meses de 2026.

Casos de malária caem pela metade

Entre janeiro e junho, foram confirmados 6,8 mil casos de malária na Terra Yanomami, número 50,6% inferior ao registrado no mesmo período de 2023.

Ao mesmo tempo, houve uma forte ampliação da testagem. Foram realizados 145 mil exames para detecção da doença, considerando tanto a procura espontânea quanto as ações de busca ativa realizadas nas comunidades. O volume representa crescimento de 85,4% em relação ao primeiro semestre de 2023.

A estratégia inclui ampliação da testagem, diagnóstico e tratamento. Uma das medidas adotadas é o uso da tafenoquina em pacientes elegíveis infectados pelo Plasmodium vivax. Segundo o Ministério da Saúde, 1.515 pessoas já receberam o medicamento no território.

Vacinação quase dobra

Os indicadores de vacinação também apresentaram avanço.

No primeiro trimestre de 2026, foram aplicadas 20.267 doses de vacinas, contra 11.273 no mesmo período de 2023. O aumento foi de 79,8%.

Entre as crianças com menos de um ano, a proporção daquelas com esquema vacinal completo passou de 28% para 57,6%. O acompanhamento nutricional, por sua vez, alcançou 84% das crianças.

As ações desenvolvidas no território incluem ainda iniciativas voltadas à segurança alimentar, acesso à água e recuperação das formas tradicionais de produção das comunidades.

Número de profissionais de saúde triplicou

A estrutura de atendimento à população Yanomami também foi ampliada desde a decretação da emergência sanitária.

Em 2023, havia cerca de 690 profissionais de saúde atuando no território. Em 2025, o contingente ultrapassou 2,1 mil trabalhadores, mais de três vezes o número registrado no início da emergência.

Sete polos-base que estavam fechados foram reabertos. Atualmente, estão em funcionamento 37 polos-base e 40 Unidades Básicas de Saúde.

A estrutura passou a contar ainda com o Centro de Referência de Surucucu, destinado ao atendimento de casos de maior gravidade e à estabilização de pacientes que eventualmente precisem ser transferidos.

Dos 84 estabelecimentos de saúde existentes no território, 76 possuem sistemas de abastecimento de água, o equivalente a 90,5% da rede.

Entre abril e agosto deste ano, também foram concluídas as unidades de Maloca Paapiú e Kayanaú, além da reforma da unidade de Palimiú.

Atendimento exige estrutura especial na floresta

A extensão territorial e as dificuldades de deslocamento representam obstáculos adicionais para a prestação dos serviços de saúde às comunidades Yanomami.

A estrutura logística utilizada atualmente conta com 90 embarcações próprias e 43 pilotos fluviais contratados, além de transporte aéreo para alcançar localidades onde o acesso terrestre ou pelos rios não é possível.

Também existe monitoramento semanal de 228 medicamentos e insumos para orientar a reposição dos estoques.

Em 2025, os valores empenhados para o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami chegaram a R$ 391 milhões, destinados às ações e serviços de saúde desenvolvidos no território.

Indicadores melhoram, mas desafios permanecem

Os números representam uma mudança importante em relação ao cenário encontrado em 2023, quando a grave situação sanitária e nutricional levou à declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional na Terra Yanomami.

A comparação divulgada pelo Ministério da Saúde utiliza justamente o primeiro semestre daquele ano como referência para dimensionar a evolução dos indicadores.

A redução de 75,7% nas mortes por desnutrição, portanto, não significa que o problema tenha sido eliminado. Da mesma forma, apesar de não terem sido registradas mortes por malária no primeiro semestre, os 6,8 mil casos confirmados mostram que a doença permanece presente no território.

Há também preocupações recentes relacionadas à segurança alimentar. Em julho, uma associação Yanomami e Sanöma alertou parlamentares para riscos decorrentes de um suposto encerramento da assistência alimentar emergencial. O governo federal negou a interrupção e afirmou manter uma força-tarefa permanente no território.

Os dados divulgados nesta semana apontam, contudo, uma melhora consistente em diferentes indicadores quando comparados a 2023: além da queda das mortes por desnutrição, houve redução dos casos de malária e das mortes por infecções respiratórias, aumento da vacinação e expansão da estrutura de atendimento.

Durante a visita técnica desta semana, representantes do Ministério da Saúde acompanharam o funcionamento das unidades e se reuniram com profissionais e lideranças indígenas. Participaram da agenda o secretário-executivo da pasta, Adriano Massuda, e a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé.

A evolução dos indicadores mostra o impacto da ampliação da assistência, mas também evidencia que a continuidade das ações de saúde, nutrição, segurança alimentar, saneamento e combate à malária permanece fundamental para consolidar os resultados no território.

By emprezaz

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