Pará decreta alerta climático preventivo diante do risco de El Niño, seca e queimadas

O Governo do Pará decretou alerta climático preventivo diante da possibilidade de consolidação do fenômeno El Niño e do aumento dos riscos associados à estiagem, às queimadas e aos incêndios florestais no estado.

A medida busca antecipar a atuação do poder público em um período considerado crítico para diversas regiões paraenses, permitindo maior articulação entre órgãos estaduais responsáveis por monitoramento climático, prevenção, fiscalização ambiental e resposta a emergências.

O alerta ocorre em um cenário que já apresenta sinais de atenção. A Defesa Civil do Pará emitiu, em 24 de agosto, um alerta de estiagem de severidade “muito alta”, enquanto boletins climáticos estaduais vêm apontando condições menos favoráveis à ocorrência de chuvas significativas em partes do estado.

El Niño aumenta preocupação com período de estiagem

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial e possui capacidade de alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

Na Amazônia, o fenômeno pode favorecer condições de calor mais intenso e redução das precipitações em determinadas áreas, aumentando a vulnerabilidade a secas e incêndios florestais.

O boletim climático da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) já indicava que os modelos apontavam para condições de El Niño. Segundo o documento, esse cenário tende a desfavorecer volumes significativos de chuva em grande parte do Pará e potencializar os efeitos do período climatologicamente menos chuvoso.

Para agosto, o prognóstico indicava que os acumulados de chuva na faixa centro-sul não deveriam ultrapassar 50 milímetros. Em áreas da Calha Norte, Baixo Amazonas, Marajó, Nordeste Paraense e Região Metropolitana, os volumes também poderiam ficar abaixo do normal.

Queimadas entram no centro da estratégia

A preocupação com a estiagem está diretamente relacionada ao risco de avanço do fogo.

Períodos prolongados sem chuva reduzem a umidade da vegetação e criam condições mais favoráveis para que focos de incêndio se espalhem, especialmente quando associados ao uso irregular do fogo.

Por isso, a resposta preventiva envolve não apenas o acompanhamento meteorológico e hidrológico, mas também ações de prevenção e combate às queimadas e incêndios florestais.

O Pará já possui o Programa Estadual de Prevenção e Combate às Queimadas e Incêndios Florestais (PEPIF), instituído em 2025, além do Comitê Integrado de Resposta à Estiagem e Incêndios Florestais.

A estrutura permite integrar diferentes áreas do governo diante de eventos que podem afetar simultaneamente o meio ambiente, a saúde, o abastecimento de água e as atividades econômicas.

Estado já estava em emergência ambiental e climática

O novo alerta preventivo também ocorre em um contexto no qual o Pará já vinha adotando medidas extraordinárias diante dos riscos ambientais.

Em agosto de 2025, o governo declarou situação de emergência ambiental e climática em todo o estado, inicialmente pelo prazo de 180 dias úteis. Entre os objetivos estavam reforçar a resposta ao desmatamento, às queimadas e aos eventos climáticos extremos e ampliar as ações de comando e controle ambiental.

Em março deste ano, o governo prorrogou por mais 180 dias úteis o estado de emergência ambiental e climática.

Isso significa que o alerta relacionado ao El Niño se soma a uma estrutura de resposta que já estava mobilizada para enfrentar condições ambientais adversas.

Defesa Civil já emitiu alerta de estiagem

Os sinais de atenção não estão restritos às projeções para os próximos meses.

Em 24 de agosto, a Defesa Civil estadual publicou o Alerta de Estiagem nº 624/2026, classificado com grau de severidade muito alto. O aviso teve início no dia 23 e vigência até o dia 25.

No início do mês, a instituição também divulgou boletim específico sobre estiagem e incêndios florestais, além de alertas relacionados à baixa umidade.

A combinação entre redução das chuvas, baixa umidade, vegetação mais seca e utilização do fogo pode ampliar significativamente o risco de incêndios.

Na Amazônia, esses episódios possuem efeitos que ultrapassam as áreas diretamente atingidas pelas chamas. A fumaça pode percorrer grandes distâncias, deteriorar a qualidade do ar e afetar a saúde da população, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

Prevenção busca evitar cenário mais grave

O caráter preventivo da medida é um dos principais aspectos do novo alerta.

Em vez de aguardar que uma eventual seca severa ou grandes incêndios estejam instalados, o governo busca preparar antecipadamente estruturas de monitoramento e resposta.

A estratégia ganha relevância porque eventos climáticos extremos podem produzir efeitos simultâneos sobre diferentes setores.

Uma estiagem mais intensa pode provocar redução dos níveis dos rios, dificuldades de navegação, isolamento de comunidades, problemas no abastecimento de água, prejuízos à agricultura e condições mais favoráveis à propagação do fogo.

Em uma região onde rios são também importantes vias de transporte, períodos de seca extrema podem ter consequências especialmente graves para populações ribeirinhas e municípios do interior.

Amazônia acompanha possível retorno do El Niño

O alerta paraense insere o estado em uma preocupação mais ampla com o comportamento climático da Amazônia nos próximos meses.

Os efeitos concretos de um El Niño dependem de fatores como intensidade, duração e interação com outros fenômenos atmosféricos e oceânicos. Por isso, as projeções são atualizadas continuamente e não significam que todos os cenários mais severos necessariamente irão ocorrer.

No Pará, entretanto, as autoridades optaram por antecipar a preparação.

A experiência recente da Amazônia demonstra que secas severas podem provocar consequências ambientais, econômicas e sociais profundas, especialmente quando coincidem com temperaturas elevadas e aumento das queimadas.

Nesse cenário, o alerta climático procura transformar as previsões meteorológicas em ações antecipadas de prevenção, permitindo que órgãos estaduais se preparem antes do período potencialmente mais crítico.

O acompanhamento das chuvas, níveis dos rios, umidade, focos de calor e condições da vegetação deverá ser determinante para indicar, nas próximas semanas e meses, a intensidade dos impactos sobre o território paraense.

By emprezaz

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