Rio Acre cai abaixo de dois metros e atinge menor nível de 2026 em Rio Branco

O Rio Acre atingiu nesta quarta-feira (12) a menor cota registrada em 2026 em Rio Branco. Às 5h21, o manancial marcou 1,98 metro, ficando pela primeira vez neste ano abaixo da marca de dois metros e ampliando a preocupação com o avanço da estiagem na capital acreana.

A medição também aparece no sistema oficial De Olho no Rio, da Prefeitura de Rio Branco, que registrava 1,98 metro na madrugada desta quarta-feira, com dados provenientes do Serviço Geológico do Brasil.

O cenário ocorre um dia depois de a Prefeitura de Rio Branco decretar situação de emergência nas áreas do município afetadas pela estiagem, diante da redução das chuvas e da disponibilidade de água no Rio Acre, afluentes, igarapés, nascentes e outras fontes utilizadas pela população.

Para a Defesa Civil Municipal, a queda abaixo dos dois metros representa um estágio de maior atenção, inclusive pelos impactos que níveis muito baixos podem provocar sobre a captação de água.

Defesa Civil prevê agravamento da seca

O coordenador municipal da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel BM Cláudio Falcão, afirmou que a marca alcançada nesta quarta-feira sinaliza um agravamento das condições hidrológicas.

Segundo ele, quando o Rio Acre fica abaixo dos dois metros, aumentam as dificuldades relacionadas à captação de água e tornam-se mais evidentes os indicadores de uma seca severa. A expectativa da Defesa Civil é de continuidade da vazante ao longo das próximas semanas.

Apesar de pequenas oscilações positivas registradas em diferentes pontos da bacia nas últimas horas, variando entre 1 e 8 centímetros, Falcão explicou que esses movimentos não representam uma recuperação consistente do manancial.

O rio pode eventualmente retornar de maneira momentânea à faixa dos dois metros, mas a tendência considerada pela Defesa Civil continua sendo de redução.

“Pode ser que nas próximas horas ele volte até para a marca dos dois metros, mas a tendência agora é de agravamento.”

De acordo com o coordenador, a expectativa é de que uma cota ainda mais crítica seja alcançada em setembro, mês historicamente associado aos níveis mais baixos do Rio Acre.

Chuva recente não foi suficiente para alterar cenário

Nem mesmo as precipitações recentes conseguiram interromper a vazante.

Na madrugada anterior, o ponto oficial de medição da Defesa Civil em Rio Branco registrou apenas 0,4 milímetro de chuva. O volume não foi suficiente para provocar recuperação do rio.

Falcão explica que o solo extremamente seco absorve grande parte da água antes que ela consiga chegar aos igarapés e ao próprio Rio Acre.

A intensidade e a duração das chuvas também fazem diferença. Precipitações rápidas, mesmo quando apresentam volumes mais expressivos em determinados locais, tendem a produzir efeitos limitados sobre o nível do manancial nas condições atuais.

Para que a chuva provoque uma resposta mais significativa, seria necessária uma precipitação mais prolongada, capaz de umedecer o solo e posteriormente produzir escoamento em direção aos cursos d’água.

Setembro deve concentrar momento mais crítico

O comportamento histórico do Rio Acre indica que o período mais crítico da estiagem em Rio Branco costuma ocorrer entre a primeira e a segunda quinzena de setembro.

Nos dois últimos anos, o manancial alcançou níveis particularmente baixos nesse período. Em 2024, a menor cota foi de 1,23 metro. Já em 2025, o rio chegou a 1,37 metro.

Para 2026, a projeção da Defesa Civil é de que o Rio Acre possa novamente se aproximar dessa faixa.

Cláudio Falcão estima que o nível poderá chegar a aproximadamente 1,30 metro até meados de setembro, caso se mantenham as atuais condições hidrológicas.

A previsão significa que, apesar de a marca inferior aos dois metros já representar um ponto importante da atual estiagem, o nível registrado nesta quarta-feira ainda pode estar distante do piso esperado para este ano.

Queda aumenta preocupação com captação de água

A redução do Rio Acre possui consequências que ultrapassam o acompanhamento dos indicadores hidrológicos.

O manancial é fundamental para o abastecimento de Rio Branco, e níveis muito baixos tornam mais complexa a operação dos sistemas de captação de água.

A situação ganha maior relevância diante da emergência decretada pelo município. A estiagem já provoca redução da disponibilidade hídrica em diferentes áreas rurais, com aumento da necessidade de abastecimento emergencial por caminhões-pipa e impactos sobre agricultura familiar, pecuária e pesca artesanal.

A queda do rio para menos de dois metros reforça, portanto, um cenário que já vinha sendo acompanhado pela Defesa Civil e que deverá exigir atenção crescente até o período historicamente mais crítico da seca.

Estiagem ainda pode avançar nas próximas semanas

A marca de 1,98 metro registrada nesta quarta-feira representa um novo ponto da vazante de 2026, mas as projeções indicam que a estiagem ainda não atingiu seu momento mais severo.

A Defesa Civil seguirá acompanhando o comportamento do Rio Acre e as condições registradas ao longo da bacia. As oscilações pontuais provocadas por chuvas isoladas também serão observadas, embora não sejam suficientes, neste momento, para indicar uma reversão da tendência.

Com setembro ainda a aproximadamente um mês de distância e a possibilidade de o manancial se aproximar novamente das mínimas observadas em 2024 e 2025, a atenção se concentra agora na disponibilidade de água e nas condições de captação e abastecimento da população.

A situação desta quarta-feira evidencia a velocidade com que a estiagem avança em Rio Branco: o Rio Acre rompeu a barreira dos dois metros e a própria Defesa Civil trabalha com a possibilidade de que ainda perca cerca de 70 centímetros até meados de setembro.

By emprezaz

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