Super El Niño pode provocar alta global dos preços dos alimentos até 2028, alertam economistas

Um possível Super El Niño entre 2026 e 2027 poderá desencadear um novo choque global nos preços dos alimentos, com reflexos que podem se estender até 2028. O alerta foi publicado pelo jornal britânico The Guardian, com base em análises de economistas, instituições financeiras e empresas especializadas em risco climático, que apontam para impactos expressivos sobre a produção agrícola mundial caso o fenômeno atinja intensidade excepcional.

Segundo a reportagem, cientistas avaliam que o atual aquecimento das águas do Oceano Pacífico apresenta uma probabilidade historicamente elevada de evoluir para um El Niño muito forte — popularmente chamado de Super El Niño ou Godzilla El Niño. Dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) indicam 63% de chance de que a temperatura da superfície do Pacífico ultrapasse 2°C acima da média ainda neste ano, intensificando ondas de calor, secas, enchentes e tempestades em diferentes regiões do planeta.

Mercado já projeta alta das commodities agrícolas

De acordo com o The Guardian, analistas do Goldman Sachs estimam que um evento extremo poderá provocar uma alta média de 15,8% nos preços internacionais das commodities agrícolas.

Os impactos tendem a ser ainda maiores para culturas mais sensíveis às alterações climáticas, como arroz, café, açúcar, óleo de palma e cacau, cujos preços poderão subir entre 50% e 100%, dependendo da intensidade das perdas nas principais regiões produtoras.

Especialistas explicam que os efeitos sobre os preços não ocorrem imediatamente. Como cada cultura possui ciclos diferentes de plantio, desenvolvimento e colheita, as consequências do fenômeno podem continuar sendo percebidas por vários anos, mesmo após o enfraquecimento do El Niño.

Produção agrícola pode perder US$ 342 bilhões

Outro dado destacado pelo jornal britânico é uma projeção da empresa de análise de riscos climáticos Risilience.

Segundo a consultoria, um cenário de Super El Niño poderá reduzir em 14,3% a produção agrícola global, provocando perdas estimadas em US$ 342 bilhões. Os pesquisadores ressaltam que países de menor renda tendem a ser os mais vulneráveis, por dependerem mais da agricultura e possuírem menor capacidade de adaptação aos eventos extremos.

Já economistas do banco UBS observam que o fenômeno altera profundamente os padrões globais de temperatura e precipitação, criando “vencedores e perdedores” entre diferentes regiões produtoras. Enquanto alguns países poderão registrar ganhos pontuais de produtividade, outros enfrentarão secas prolongadas, enchentes ou tempestades capazes de comprometer significativamente as safras.

Amazônia pode enfrentar seca mais intensa

No Brasil, episódios de El Niño costumam provocar impactos distintos entre as regiões.

Na Amazônia, especialmente em sua porção norte e leste, o fenômeno favorece períodos mais secos, reduz os níveis dos rios e aumenta o risco de incêndios florestais. Já a Região Sul normalmente registra chuvas acima da média e maior ocorrência de enchentes.

Essas alterações climáticas afetam diretamente a produção agrícola, a logística de transporte, o abastecimento de água e a geração de energia, além de ampliar os custos da cadeia de alimentos.

Inflação pode ser agravada

A reportagem também destaca que um eventual Super El Niño ocorreria em um contexto de instabilidade geopolítica e pressões já existentes sobre o mercado internacional de alimentos.

Segundo analistas da UniCredit, o fenômeno poderá recolocar a chamada “climateflation” — a inflação impulsionada por eventos climáticos extremos — no centro das preocupações econômicas, aumentando os custos para consumidores e pressionando bancos centrais a manter juros elevados por mais tempo.

Preparação será decisiva

Embora ainda exista incerteza sobre a intensidade final do fenômeno, especialistas defendem que governos e produtores ampliem investimentos em monitoramento climático, agricultura resiliente, irrigação eficiente, diversificação de culturas e sistemas de gestão de riscos.

Para os pesquisadores ouvidos pelo The Guardian, compreender os efeitos antecipadamente permitirá reduzir perdas econômicas, proteger a segurança alimentar e aumentar a capacidade de adaptação diante de um cenário climático cada vez mais extremo.

By emprezaz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas