Redação Planeta Amazônia
Com a proximidade do período mais crítico da estiagem e o consequente aumento do risco de incêndios florestais, as Unidades de Conservação estaduais do Tocantins intensificaram as medidas de prevenção para reduzir impactos ambientais e proteger os ecossistemas durante os meses de maior vulnerabilidade climática.
As ações são conduzidas pelo Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) e têm como base o Manejo Integrado do Fogo (MIF), estratégia que reúne planejamento, prevenção, monitoramento e utilização controlada do fogo para diminuir a probabilidade de incêndios de grandes proporções.
Queimas prescritas são realizadas antes do período crítico
Uma das principais ferramentas utilizadas pelo Naturatins são as queimas prescritas, realizadas de maneira planejada em locais previamente definidos, sob condições climáticas adequadas e seguindo critérios técnicos e protocolos de segurança.
Nas unidades de conservação estaduais, essas intervenções foram realizadas entre março e julho, antes da fase mais severa da estiagem. O objetivo é diminuir o acúmulo de material combustível, estabelecer barreiras à propagação das chamas e, consequentemente, reduzir o risco de incêndios florestais de maior intensidade.
A estratégia parte do princípio de que, em determinados ecossistemas, a utilização técnica e controlada do fogo pode funcionar como instrumento de prevenção, evitando que grandes quantidades de vegetação seca alimentem incêndios descontrolados durante os meses mais quentes e secos.
A imagem apresentada na segunda página do material encaminhado pela Secretaria da Comunicação mostra justamente uma das equipes durante uma ação de manejo do fogo, em registro de Vinicius Venâncio, do Governo do Tocantins.
Satélites, drones e patrulhamento ajudam a identificar focos
A prevenção não se limita às queimas prescritas. O trabalho nas unidades de conservação inclui monitoramento por satélite, patrulhamento terrestre, abertura e manutenção de aceiros e utilização de drones para detectar focos de calor.
Também são promovidas capacitações de brigadistas, ampliando a capacidade de resposta caso um incêndio seja identificado nas áreas protegidas.
Outra frente envolve educação ambiental nas comunidades localizadas no entorno das unidades de conservação. Produtores e comunidades tradicionais recebem orientações sobre práticas de manejo destinadas a diminuir o risco de incêndios e contribuir para a conservação das áreas protegidas.
Dessa forma, o modelo adotado busca combinar tecnologia e presença em campo com a participação das populações que vivem próximas aos territórios protegidos.
Autorizações de queima estão suspensas até outubro
Além das medidas realizadas diretamente nas unidades de conservação, o Tocantins mantém restrições ao uso do fogo durante o período de maior risco.
Até 31 de outubro, permanece suspensa a emissão de novas Autorizações de Queima Controlada (AQC). A medida também suspende, durante esse período, a validade das autorizações anteriormente concedidas para atividades agrossilvipastoris em todo o estado.
A restrição pretende diminuir a possibilidade de que queimadas controladas escapem das áreas planejadas e se transformem em incêndios florestais durante a estiagem, quando a vegetação seca, as temperaturas elevadas e outras condições ambientais podem facilitar a rápida propagação das chamas.
Mais de 120 mil hectares foram atingidos por queimadas em 2025
O monitoramento das unidades estaduais é realizado com auxílio do Programa Brasil MAIS, plataforma coordenada pela Polícia Federal. As informações obtidas subsidiam o planejamento das ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.
Os números mostram uma redução da área atingida entre 2024 e 2025.
Em 2024, foram contabilizados 174.544 hectares atingidos por queimadas nas unidades de conservação estaduais monitoradas, o equivalente a 7,45% dos 2,3 milhões de hectares analisados.
Em 2025, foram registrados 120.476 hectares atingidos, correspondentes a 5,14% da área monitorada. Isso representa uma redução de aproximadamente 54 mil hectares de um ano para o outro.
Apesar da queda, a extensão atingida demonstra a dimensão do desafio enfrentado pelos órgãos ambientais durante a estação seca e reforça a importância de ações realizadas antes do período de maior risco.
Cantão e outras áreas protegidas integram monitoramento
Os dados do Programa Brasil MAIS também permitem acompanhar as áreas atingidas por queimadas dentro de diferentes unidades de conservação do Tocantins.
Entre elas estão o Parque Estadual do Cantão, a Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão, o Parque Estadual do Jalapão e a Área de Proteção Ambiental Lago de Palmas.
O material divulgado pelo governo estadual traz, inclusive, imagens aéreas do Cantão e do Rio Araguaia, além de outro registro da paisagem do Cantão, evidenciando a dimensão das áreas naturais abrangidas pelas ações preventivas.
Com a chegada dos meses mais secos, a combinação de manejo preventivo do fogo, monitoramento tecnológico, formação de brigadistas, fiscalização e educação ambiental passa a integrar a estratégia para impedir que focos isolados evoluam para grandes incêndios.
A atuação antecipada também busca proteger a biodiversidade das unidades de conservação e as populações que vivem em seu entorno, especialmente em um período no qual as condições climáticas tornam a vegetação mais suscetível à propagação do fogo.

