O Acre deu mais um passo para consolidar sua produção cafeeira com a estruturação da Rota Café Juruá, a primeira rota exclusiva do café organizada no âmbito do Programa Rotas de Integração Nacional, do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o MIDR e tem como objetivo fortalecer a agricultura familiar, organizar a cadeia produtiva regional e ampliar a atração de investimentos para o Vale do Juruá.
A consolidação da rota ocorreu após uma semana de atividades em Mâncio Lima e outros municípios da região, reunindo produtores, representantes da Cooperativa de Produtores de Café do Juruá (Coopercafé), gestores públicos, lideranças locais e instituições parceiras. Durante a programação, foram realizadas visitas técnicas às propriedades rurais, oficinas de planejamento e reuniões voltadas à construção de um modelo de governança para a cadeia produtiva do café.
Segundo a ABDI, a proposta é mapear as potencialidades da região, identificar gargalos logísticos e estruturais e estabelecer uma agenda de projetos prioritários para ampliar a competitividade da cafeicultura no extremo oeste da Amazônia.
Organização da cadeia produtiva amplia oportunidades
O analista de Produtividade e Inovação da ABDI e líder do Projeto Café Amazônia Sustentável, Eduardo Tosta, destacou que a organização da cadeia produtiva representa um marco para os produtores locais.
Segundo ele, a criação da rota permite que a região passe a atuar de forma integrada, facilitando o acesso a políticas públicas e investimentos privados.
“A Rota Café Juruá foi criada de forma muito participativa. Agora, com a cadeia produtiva organizada e uma agenda de projetos prioritários estabelecida, a região se torna uma verdadeira vitrine para investimentos”, afirmou.
O coordenador do programa Rotas de Integração Nacional, Samuel Castro, ressaltou que o potencial da cafeicultura no Juruá surpreendeu a equipe técnica.
De acordo com ele, além da elevada produtividade e da qualidade dos grãos produzidos na região, a atividade tem contribuído para reduzir desigualdades sociais e conter o êxodo rural.
“Encontramos um enorme potencial de produção, grãos de qualidade, sabor diferenciado e respeito ao meio ambiente. Mais do que isso, observamos uma cadeia produtiva capaz de gerar emprego, renda e manter as famílias no campo”, destacou.
Rede de governança reúne instituições públicas e privadas
A nova rota integra o Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a ABDI e o MIDR para fortalecer cadeias produtivas estratégicas e impulsionar a Nova Indústria Brasil (NIB).
No Acre, a iniciativa contará com uma rede de governança formada por instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), além de prefeituras e secretarias municipais dos municípios que integram o Vale do Juruá.
A rota também fortalece as ações do Projeto Café Amazônia Sustentável, coordenado pela ABDI para incentivar a produção de cafés especiais cultivados pela agricultura familiar.
Em junho deste ano, foi inaugurado o Complexo Industrial do Café do Juruá, em Mâncio Lima, enquanto uma nova unidade industrial está em construção em Cruzeiro do Sul. Também seguem em andamento as obras de uma indústria de café no município de Capixaba, no Baixo Acre.
Produção impulsiona economia regional
Os primeiros resultados da política já começam a aparecer. Dados monitorados pela Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) indicam avanços expressivos entre 2020 e dezembro de 2024 em Mâncio Lima.
Segundo o levantamento, a renda mediana dos cooperados aumentou 79%, enquanto o número de beneficiários do Bolsa Família caiu 7%. No mesmo período, a cadeia produtiva registrou crescimento de 60% na geração de empregos e expansão de 466% na concessão de crédito rural.
O impacto também foi percebido nas finanças públicas do município, que registrou crescimento de 98% na arrecadação total e aumento de 41% na arrecadação do ICMS, refletindo o fortalecimento da atividade econômica local.
Café sustentável fortalece a bioeconomia amazônica
A estruturação da Rota Café Juruá reforça a estratégia de valorização de cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia, conciliando geração de renda, permanência das famílias no campo e conservação ambiental.
Ao organizar produtores, integrar instituições e estimular investimentos em infraestrutura e industrialização, a iniciativa amplia as oportunidades para a agricultura familiar e fortalece o posicionamento do Acre como referência nacional na produção de cafés especiais cultivados de forma sustentável.
A expectativa da ABDI e do MIDR é que o modelo desenvolvido no Vale do Juruá possa servir de referência para outras regiões brasileiras, impulsionando novas rotas produtivas voltadas ao desenvolvimento regional e à bioeconomia.

