Organizações e coletivos que atuam nas periferias urbanas de Manaus terão a oportunidade de conhecer em detalhes um edital que destinará R$ 17,5 milhões ao fortalecimento de iniciativas sociais da Região Norte e do Maranhão. Na próxima quarta-feira, 12 de agosto, a partir das 16h, será realizado um aulão gratuito para apresentar as regras do Programa BNDES Periferias Fortes – Norte e orientar interessados no processo de inscrição.
A atividade será realizada no Teatro Gebes Medeiros, na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro de Manaus, e é promovida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Instituto Phi e o Instituto Phomenta.
Além de explicar o edital, o encontro pretende aproximar o programa das organizações que já atuam diretamente nos territórios periféricos, oferecendo ferramentas de gestão, formação e orientação para que essas iniciativas tenham melhores condições de concorrer aos recursos.
Programa poderá beneficiar até 82 organizações
O BNDES Periferias Fortes – Norte prevê investimento de R$ 17,5 milhões no fortalecimento institucional de até 82 Organizações Sociais de Periferia (OSPs) de pequeno e médio porte.
Poderão participar iniciativas que atuam em favelas, ocupações, comunidades e outros territórios urbanos da Região Norte e do Maranhão, observados os critérios estabelecidos no edital.
A seleção foi estruturada para contemplar organizações com diferentes níveis de desenvolvimento institucional. Serão escolhidas 25 organizações de médio porte, que precisam estar formalizadas, possuir orçamento anual entre R$ 80 mil e R$ 300 mil e comprovar pelo menos sete anos de atuação.
Outras 57 vagas serão destinadas a organizações de pequeno porte, formalizadas ou não. Nesse grupo, é necessário comprovar pelo menos quatro anos de atuação e atender aos critérios financeiros estabelecidos pelo programa.
Apoio pode chegar a R$ 300 mil
Os recursos oferecidos variam de acordo com o porte das organizações selecionadas.
As iniciativas de pequeno porte poderão receber apoio de até R$ 100 mil, enquanto as organizações classificadas como de médio porte poderão acessar até R$ 300 mil, conforme as regras do edital.
O programa, entretanto, não se restringe ao repasse de recursos. As organizações selecionadas participarão de uma jornada de desenvolvimento institucional com duração de 33 meses, que prevê formação imersiva, mentorias e capacitações em áreas como gestão, comunicação e captação de recursos.
Também estão previstos acompanhamento técnico e apoio à elaboração e implementação dos Planos de Desenvolvimento Institucional de cada organização.
O programa oferecerá ainda bolsas de incentivo destinadas a facilitar a participação das lideranças durante a jornada de formação e mentoria.
Aulão terá orientação para inscrição no edital
O encontro em Manaus foi planejado para auxiliar organizações que eventualmente tenham dificuldades para interpretar os requisitos ou preparar sua participação.
Representantes do Instituto Phi e do Instituto Phomenta conduzirão atividades relacionadas ao fortalecimento institucional e apresentarão ferramentas práticas voltadas à gestão e ao cotidiano das organizações sociais.
Haverá também uma equipe dedicada a esclarecer dúvidas sobre o edital e orientar os interessados durante o processo de inscrição.
A atividade é destinada a organizações da sociedade civil e coletivos que atuem em comunidades periféricas urbanas mapeadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Luiza Serpa destaca atuação das organizações nas periferias
Para Luiza Serpa, fundadora do Instituto Phi, as organizações que atuam nesses territórios já desempenham funções importantes para as próprias comunidades, e o programa pretende oferecer instrumentos para fortalecer esse trabalho.
Segundo Serpa, o objetivo é aproximar as iniciativas locais de ferramentas, conhecimentos e oportunidades capazes de ampliar sua atuação.
A fundadora do Instituto Phi também ressalta que os aulões funcionam como espaços de escuta, troca e construção conjunta com organizações que atuam diariamente na transformação dos territórios.
A proposta, portanto, vai além de apresentar os critérios burocráticos para concorrer ao financiamento. Ao incluir formação e orientação, a iniciativa procura enfrentar um obstáculo comum a organizações comunitárias: a dificuldade de estruturar processos internos, elaborar projetos, captar recursos e atender às exigências dos grandes editais.
Fortalecimento institucional é parte central da iniciativa
O desenho do programa evidencia essa preocupação. Ao prever uma jornada de quase três anos, o BNDES Periferias Fortes – Norte procura combinar financiamento e desenvolvimento institucional.
Essa estrutura pode permitir que organizações que já possuem inserção comunitária ampliem sua capacidade administrativa, de comunicação, planejamento e captação de recursos.
O Instituto Phi, um dos parceiros da iniciativa, foi fundado em 2014 e atua no planejamento estratégico da filantropia e no apoio a diferentes organizações e causas sociais.
Já o Instituto Phomenta, criado em 2015, trabalha no apoio e conexão entre ONGs, institutos, fundações e empresas. Segundo as informações encaminhadas à reportagem, em dez anos a organização apoiou diretamente mais de 2 mil ONGs, desenvolveu mais de 100 projetos e conectou mais de 2,5 mil voluntários a organizações sociais.
As fotografias anexadas ao material, nas páginas 4 e 5, mostram atividades presenciais de formação já realizadas, com participantes reunidos em sala durante apresentações e, ao final, em registro coletivo, ilustrando o formato de capacitação proposto pela iniciativa.
Encontro busca ampliar acesso aos recursos na Região Norte
Ao realizar uma atividade presencial em Manaus, o programa busca aproximar uma oportunidade nacional de financiamento das organizações que atuam diretamente nas comunidades da região.
Para iniciativas de menor porte, especialmente aquelas que ainda não possuem estruturas administrativas consolidadas, o acesso a editais de grande dimensão pode envolver dificuldades que vão desde a compreensão das regras até a preparação da documentação necessária.
O aulão de 12 de agosto pretende justamente diminuir essa distância, oferecendo orientação antes da seleção e permitindo que organizações locais conheçam não apenas os valores disponíveis, mas também as exigências e a estrutura de desenvolvimento institucional prevista para quem for selecionado.

