BNDES lança nova fase do ProFloresta+ e pretende mobilizar até R$ 6 bilhões para mercado de carbono

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou a segunda etapa do ProFloresta+, programa voltado ao fortalecimento do mercado de créditos de carbono no país. A nova fase da iniciativa tem potencial para mobilizar até R$ 6 bilhões em investimentos privados e públicos destinados à restauração florestal, à geração de créditos de carbono e à expansão da economia de baixo carbono. O anúncio foi realizado durante o 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, no Rio de Janeiro.

O programa atua em duas frentes complementares. De um lado, o BNDES promoverá chamadas públicas e leilões para conectar empresas interessadas em adquirir créditos de carbono a projetos de restauração ambiental. De outro, oferecerá financiamento aos empreendedores responsáveis pela recuperação de áreas degradadas, possibilitando a geração dos créditos ambientais negociados no mercado voluntário.

A expectativa é que os recursos viabilizem a restauração de até 60 mil hectares de vegetação nativa, área equivalente a cerca de 38% do território do município de Curitiba (PR), além de permitir a captura estimada de 19 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) ao longo do ciclo dos projetos.

Mercado de carbono ganha novo impulso

Os créditos de carbono representam certificados gerados por iniciativas capazes de remover ou evitar emissões de gases de efeito estufa. Cada crédito corresponde, em regra, a uma tonelada de CO₂ equivalente retirada da atmosfera ou cuja emissão foi evitada.

Empresas utilizam esses créditos para compensar parte de suas emissões, enquanto projetos de restauração florestal, reflorestamento e conservação ambiental encontram uma nova fonte de financiamento para suas atividades.

Segundo o BNDES, a nova fase do ProFloresta+ foi estruturada para ampliar a escala desses investimentos e criar um ambiente mais seguro para produtores, investidores e compradores de créditos, fortalecendo um mercado considerado estratégico para a transição ecológica brasileira.

Recuperação florestal pode beneficiar a Amazônia

Embora o programa tenha alcance nacional, especialistas apontam que a Amazônia tende a concentrar parte importante dos projetos de restauração e conservação, devido à extensa cobertura florestal e ao potencial para geração de créditos de carbono de alta integridade ambiental.

A iniciativa poderá estimular a recuperação de áreas degradadas, fortalecer cadeias ligadas à bioeconomia e ampliar oportunidades para proprietários rurais, comunidades tradicionais e empreendedores envolvidos em projetos de restauração ecológica.

Além dos benefícios ambientais, projetos dessa natureza também contribuem para a proteção da biodiversidade, recuperação de nascentes, conservação do solo e fortalecimento dos serviços ecossistêmicos essenciais para a agricultura e para o equilíbrio climático.

Brasil busca ampliar protagonismo na economia verde

O lançamento do ProFloresta+ ocorre em um momento de expansão do mercado global de carbono e de crescente demanda internacional por ativos ambientais de alta qualidade.

Com a regulamentação do mercado brasileiro de carbono e o aumento das exigências ambientais em mercados internacionais, o governo federal busca posicionar o país como um dos principais fornecedores de soluções baseadas na natureza para mitigação das mudanças climáticas.

Para o BNDES, o programa representa um passo importante para conectar financiamento, conservação ambiental e desenvolvimento econômico, criando mecanismos capazes de transformar a restauração florestal em uma atividade economicamente viável e ambientalmente estratégica.

A expectativa é que os novos investimentos fortaleçam o mercado voluntário de créditos de carbono, ampliem a recuperação de ecossistemas degradados e consolidem o Brasil como referência internacional na economia de baixo carbono.

By emprezaz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas