A intensificação da seca no Amazonas mobilizou uma campanha humanitária para levar alimentos e água potável a comunidades ribeirinhas da Região Metropolitana de Manaus que enfrentam dificuldades provocadas pela redução do nível dos rios.
A Campanha Humanitária Amazônia Solidária 2026 pretende arrecadar 23,4 toneladas de alimentos até 31 de outubro, além de água potável, por meio de uma rede de pontos de coleta. As doações serão destinadas a famílias que vivem em comunidades das bacias do Puraquequara e Tarumã-Açu, Jatuarana, Paraná da Eva, Paraná do Terra Nova e Janauari, incluindo Vila Nova e Nova Vila.
A iniciativa é organizada pela rede colaborativa Converge Amazônia e ocorre em um momento no qual todos os 62 municípios amazonenses estão em situação de emergência, decretada pelo governo estadual em 21 de setembro diante da previsão de chuvas abaixo da média associada às condições de um Super El Niño.
Quando o rio baixa, comunidades ficam mais isoladas
Na Amazônia, a redução dos níveis dos rios produz consequências que ultrapassam a disponibilidade de água.
Para muitas comunidades ribeirinhas, os cursos d’água funcionam como as principais vias de deslocamento, permitindo o transporte de moradores, alimentos e outros produtos essenciais.
O coordenador-geral da Converge Amazônia, Matheus Amazônia, destaca justamente essa relação. Segundo ele, o rio representa caminho, fonte de alimentação e parte da vida das populações que habitam esses territórios. Quando a navegação fica comprometida, toda a rotina das comunidades sofre impactos.
A campanha pretende organizar uma rede de solidariedade para atender famílias que enfrentam dificuldades de acesso a água, alimentos e outros itens essenciais durante a estiagem.
Arrecadação começa nesta terça-feira
A coleta nos pontos que aderirem à campanha começa nesta terça-feira (6) e continuará ao longo de outubro.
Entre os dias 21 e 27, estão previstas ações específicas de mobilização para ampliar as doações.
Cada ponto participante ficará responsável por receber, registrar e armazenar adequadamente os produtos. Posteriormente, a Converge Amazônia organizará a retirada dos materiais por região.
Os produtos passarão ainda por uma triagem realizada com apoio de voluntários. Serão verificadas condições como validade, integridade e tipo dos alimentos recebidos antes da montagem das cestas.
Doações serão transformadas em cestas de 23,4 quilos
A meta de 23,4 toneladas tem relação direta com a estratégia de distribuição.
Após a arrecadação e triagem, os alimentos serão organizados em cestas de aproximadamente 23,4 quilos.
Os produtos deverão complementar a alimentação das famílias justamente durante o período em que a seca comprometer a pesca e dificultar o acesso às comunidades.
A distribuição está programada para ocorrer entre os dias 8 e 22 de novembro.
A logística deverá combinar transporte terrestre e fluvial, de acordo com as condições encontradas em cada território.
As famílias beneficiadas serão definidas a partir de cadastros validados pelas lideranças das próprias comunidades.
Campanha busca apoio para receber doações de outros estados
A mobilização também pretende ultrapassar as fronteiras do Amazonas.
Para viabilizar doações provenientes de outros estados, os organizadores buscam apoio dos Correios, da Força Aérea Brasileira (FAB) e de companhias aéreas.
Até a publicação das informações pela Agência Brasil, porém, essas parcerias ainda dependiam de confirmação.
A organização afirma que tanto a arrecadação quanto a entrega dos produtos serão registradas e que os resultados da campanha terão prestação pública.
Para integrar a rede de pontos de coleta em Manaus ou em outros estados, os interessados devem preencher o formulário de adesão disponibilizado pela organização. Depois do cadastro, a equipe responsável entra em contato para orientar sobre os procedimentos.
Amazonas inteiro está em situação de emergência
A mobilização acontece em meio ao agravamento das preocupações com a estiagem de 2026.
Desde 21 de setembro, os 62 municípios do Amazonas estão abrangidos pela situação de emergência decretada pelo governo estadual, diante das condições climáticas previstas para o estado.
A seca ganha uma dimensão particular nas comunidades ribeirinhas porque a diminuição dos rios interfere simultaneamente em diferentes aspectos da vida cotidiana.
Além das dificuldades de navegação, a campanha destaca os impactos sobre a pesca e o abastecimento de alimentos e água, criando a necessidade de uma operação capaz de alcançar localidades cujo acesso também pode se tornar mais difícil à medida que os rios baixam.
Por isso, a própria distribuição das doações, prevista para novembro, dependerá das condições encontradas em cada território.
A Amazônia Solidária 2026 transforma esse desafio logístico em uma mobilização que pretende conectar pontos de coleta, voluntários e lideranças comunitárias para fazer com que toneladas de alimentos percorram os caminhos terrestres e fluviais ainda disponíveis até chegar às famílias afetadas pela estiagem.

