Projeto reúne seis países para mapear soluções de sociobioeconomia criadas na Pan-Amazônia

Iniciativa conecta organizações de jornalismo da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela e vai mostrar experiências que geram renda com preservação e valorização da biodiversidade

Iniciativas desenvolvidas dentro dos próprios territórios amazônicos para gerar renda, fortalecer o empreendedorismo comunitário e conservar a biodiversidade serão mapeadas e apresentadas por uma rede formada por organizações de jornalismo de seis países da Pan-Amazônia.

Batizado de Lições da Pan-Amazônia, o projeto reúne veículos e organizações da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. A proposta é ampliar a presença de pesquisadores, lideranças e comunidades locais nas narrativas sobre a região e mostrar respostas que já estão sendo construídas diante dos desafios econômicos, sociais e ambientais amazônicos.

A iniciativa tem apoio da Fundação Avina e reúne Muy Waso, da Bolívia; Amazônia Vox, do Brasil; Agenda Propia, da Colômbia; Pluma Verde, do Equador; Servindi, do Peru; e Historias que laten, da Venezuela.

Economia da floresta será tema da primeira temporada

Uma das principais frentes do projeto será a produção de uma série de reportagens sob a perspectiva do Jornalismo de Soluções, abordagem voltada não apenas à exposição de problemas, mas também à investigação das respostas desenvolvidas para enfrentá-los.

Cada uma das seis organizações participantes produzirá uma reportagem.

Na primeira temporada, o foco será a economia da floresta, com histórias sobre iniciativas capazes de gerar renda a partir do empreendedorismo comunitário, associadas à preservação e à valorização da biodiversidade local.

O mapeamento e a produção das reportagens já estão em andamento. A previsão é que os conteúdos sejam publicados no início de dezembro de 2026, reunidos em um site especial e também disponibilizados pelas organizações participantes.

As histórias terão textos e imagens produzidos diretamente nos territórios amazônicos e também serão distribuídas para outros veículos e plataformas digitais.

Projeto quer ampliar presença de vozes amazônicas

Além das reportagens, o projeto pretende enfrentar outro desafio recorrente na cobertura jornalística da Amazônia: encontrar e acessar especialistas e personagens que vivem e atuam nos próprios territórios.

Jornalistas e comunicadores dos seis países estão mapeando pesquisadores, lideranças locais e outras fontes de conhecimento para ampliar o Banco de Fontes mantido pela Amazônia Vox.

A ferramenta é gratuita e reúne contatos e perfis que podem ser utilizados por jornalistas, comunicadores, produtores de conteúdo e organizadores de eventos interessados em encontrar fontes com conhecimento sobre a região.

Com a atualização, o banco também passará a incorporar pessoas e organizações dos nove países que compõem a Pan-Amazônia, ampliando seu alcance para além do território brasileiro.

Pelo menos 100 novas fontes serão cadastradas

O trabalho colaborativo deverá acrescentar pelo menos 100 novos cadastros ao banco, com aproximadamente 20 perfis provenientes de cada país representado pelas organizações participantes.

A Amazônia Vox informa que a plataforma já reúne mais de 1,4 mil perfis. Em outra passagem da própria apresentação institucional publicada na reportagem, o veículo menciona mais de 1,5 mil cadastros, indicando que a base permanece em processo de atualização.

A ampliação procura facilitar a conexão entre quem produz informação sobre a Amazônia e quem possui conhecimento construído diretamente nos territórios.

A proposta parte do entendimento de que as comunidades amazônicas não devem aparecer apenas como personagens dos problemas enfrentados pela região, mas também como fontes de conhecimento sobre as respostas desenvolvidas localmente.

Rede atravessa fronteiras da Amazônia

A composição do projeto reflete a dimensão internacional da floresta.

Na Bolívia, participa a Muy Waso, organização que se define como um laboratório de experimentação em jornalismo e comunicação voltado à transformação social.

No Brasil, a Amazônia Vox trabalha para ampliar o protagonismo amazônida nas narrativas sobre a região e, além do Banco de Fontes, mantém uma rede de freelancers da comunicação com quase mil profissionais cadastrados.

A colombiana Agenda Propia possui 15 anos de atuação em jornalismo investigativo e cocriação intercultural. O veículo trabalha com histórias envolvendo povos indígenas, comunidades camponesas, afrodescendentes e outros grupos sociais, além de abordar conflitos socioambientais e impactos do extrativismo.

Do Equador, a Pluma Verde participa como veículo especializado em meio ambiente, clima e Jornalismo de Soluções, com atenção às vozes provenientes dos territórios.

A rede também conta com a peruana Servindi, associação fundada em 2002 e dedicada à comunicação intercultural e ao fortalecimento do movimento indígena, e a venezuelana Historias que laten, especializada em jornalismo narrativo e de soluções.

Sociobioeconomia a partir de quem vive no território

Ao concentrar a primeira série na economia da floresta, o projeto pretende mostrar experiências nas quais a geração de renda está relacionada à biodiversidade e às características sociais e ambientais dos próprios territórios.

A perspectiva ganha relevância em meio à discussão sobre como transformar a riqueza biológica amazônica em desenvolvimento econômico sem reproduzir modelos baseados exclusivamente na exploração e exportação de recursos naturais.

No caso do Lições da Pan-Amazônia, porém, a proposta não é formular um modelo único para a região. O projeto pretende identificar experiências já existentes e mostrar como comunidades e empreendedores locais estão respondendo a problemas concretos.

As reportagens permitirão comparar iniciativas desenvolvidas em diferentes realidades da Pan-Amazônia, mantendo as particularidades de cada território.

Fundação Avina apoia iniciativa

O projeto conta com apoio da Fundação Avina, organização filantrópica latino-americana que atua há mais de 30 anos em processos de colaboração voltados a questões sociais e ambientais.

A fundação trabalha atualmente em três eixos: ação climática, inovação democrática e economia justa e regenerativa.

Com o mapeamento de novas fontes e a série jornalística, o Lições da Pan-Amazônia pretende criar uma rede que ultrapasse as fronteiras nacionais e aproxime experiências construídas em diferentes partes da floresta.

A primeira etapa poderá mostrar, sobretudo, que as discussões sobre o futuro econômico da Amazônia não estão restritas a governos, empresas e centros de pesquisa. Comunidades, lideranças e empreendedores que vivem na região também desenvolvem soluções e modelos de geração de renda que partem da própria biodiversidade e do conhecimento acumulado nos territórios.

By emprezaz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas