O Acre está entre os estados da Amazônia Legal com maior exposição ao risco de desmatamento associado à cadeia produtiva da carne bovina destinada aos mercados do Oriente Médio e Norte da África (MENA). A conclusão é de um estudo divulgado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que analisou a origem potencial do gado fornecido aos frigoríficos exportadores e o avanço da conversão de áreas florestais em regiões produtoras.
Segundo o levantamento, a exposição ao risco varia conforme a área de influência dos frigoríficos, podendo alcançar até 4,79 milhões de hectares com potencial de desmatamento. O Acre figura entre os estados que concentram plantas frigoríficas inseridas em zonas onde a expansão da pecuária coincide com áreas sob maior pressão ambiental, tornando a rastreabilidade da cadeia produtiva um dos principais desafios para garantir exportações livres de desmatamento.
Mercado internacional amplia exigências ambientais
Os países do Oriente Médio e do Norte da África vêm ampliando as importações de carne bovina brasileira, consolidando-se como um dos principais destinos do produto nacional. Paralelamente, cresce a pressão internacional por mecanismos capazes de assegurar que a produção agropecuária não esteja associada à supressão ilegal de vegetação nativa.
O estudo ressalta que o risco identificado não significa que toda a carne exportada provenha de áreas desmatadas, mas indica que frigoríficos instalados em determinadas regiões podem adquirir animais originários de propriedades localizadas em áreas vulneráveis, especialmente quando ainda existem limitações na rastreabilidade indireta da cadeia pecuária.
Rastreabilidade segue como principal desafio
Atualmente, os frigoríficos monitoram, em geral, os fornecedores diretos de animais. Entretanto, especialistas apontam que parte significativa do rebanho passa anteriormente por fazendas de cria e recria, conhecidas como fornecedores indiretos, cuja fiscalização ainda apresenta lacunas.
Essa dinâmica pode permitir que animais oriundos de áreas com irregularidades ambientais ingressem posteriormente em propriedades regularizadas antes do abate, dificultando a identificação da origem completa do gado.
Para o Imazon, ampliar os mecanismos de rastreabilidade individual dos animais e integrar bases de dados ambientais são medidas essenciais para reduzir esse risco e fortalecer a credibilidade da pecuária amazônica.
Acre busca consolidar pecuária sustentável
Nos últimos anos, o Acre tem investido em políticas voltadas à regularização ambiental, ao fortalecimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ao incentivo à produção pecuária de baixo impacto ambiental.
Especialistas observam que esses instrumentos podem contribuir para ampliar a competitividade do estado em mercados internacionais cada vez mais atentos aos critérios de sustentabilidade e às exigências relacionadas à origem dos produtos agropecuários.
Ao mesmo tempo, destacam que a consolidação de uma cadeia totalmente rastreável depende da integração entre produtores, frigoríficos, órgãos ambientais e sistemas de monitoramento territorial.
Sustentabilidade influencia competitividade
O estudo reforça que o combate ao desmatamento deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a representar também um fator estratégico para o comércio internacional.
Com mercados consumidores exigindo maior transparência sobre a origem da carne bovina, estados amazônicos como o Acre enfrentam o desafio de combinar expansão econômica, conservação das florestas e fortalecimento dos mecanismos de controle da cadeia produtiva.
Na avaliação dos pesquisadores, investir em rastreabilidade, regularização ambiental e monitoramento permanente será fundamental para ampliar o acesso da carne brasileira aos mercados internacionais e reduzir riscos socioambientais associados à produção pecuária.

