O fotógrafo acreano Paulo Henrique Costa, natural de Cruzeiro do Sul, levará a cultura e as paisagens do Vale do Juruá à França em novembro deste ano. O artista apresentará o fotolivro Raízes do Juruá: retratos da Amazônia acreana em dois espaços culturais da região de Paris, com o objetivo de ampliar a visibilidade da produção artística do interior da Amazônia brasileira.
As apresentações estão previstas para os dias 10 e 11 de novembro. A primeira acontecerá no Initial LABO, espaço dedicado à fotografia localizado em Boulogne-Billancourt, nos arredores da capital francesa. No dia seguinte, o lançamento será realizado na Livraria Sabiá Arte e Cultura, em Paris.
A participação internacional será viabilizada por uma bolsa de mobilidade artística da Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura. O incentivo permitirá que o fotógrafo apresente pessoalmente uma obra que já circulou por Cruzeiro do Sul, em agosto de 2025, e por São Paulo, em outubro do mesmo ano.

Em entrevista ao ContilNet, Paulo Henrique destacou que a oportunidade representa mais do que uma conquista individual. Para ele, a circulação internacional de trabalhos produzidos no interior do Acre contribui para enfrentar a falta de visibilidade cultural da região.
Fotolivro retrata cotidiano e identidade das comunidades amazônicas
A publicação reúne fotografias de moradores, paisagens, rios e cenas do cotidiano do Vale do Juruá. A proposta é apresentar a Amazônia a partir das experiências de seus habitantes, valorizando as relações sociais, os costumes e os modos de vida das comunidades locais.
O projeto começou a ser desenvolvido em 2024, quando Paulo Henrique iniciou sua trajetória na fotografia de maneira autodidata. Ainda naquele ano, conquistou um prêmio em um festival de fotografia que resultou na produção de um fotolivro artesanal, com apenas cinco exemplares. Um deles passou a integrar o acervo da Biblioteca Nacional da França.
A experiência incentivou a criação de uma publicação mais abrangente, desenvolvida em parceria com Marly Porto e lançada pela Porto de Cultura.
Com curadoria e coordenação editorial de Marly Porto, projeto gráfico de Júlio Matos e textos de Carlos Chauca, Veronisa Viana e Marly Porto, o livro foi produzido com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, por meio da Fundação Elias Mansour.
Fotografia também registra impactos das mudanças climáticas
Além de retratar a diversidade cultural da região, Paulo Henrique desenvolve um trabalho voltado à documentação dos efeitos das mudanças climáticas na Amazônia acreana.
Desde 2024, o fotógrafo realiza o projeto Memória Visual do Vale do Juruá: a Amazônia acreana em tempos de extremos climáticos, que registra secas severas, enchentes, queimadas e outros fenômenos ambientais em municípios como Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima e Porto Walter.
As fotografias mostram como esses eventos afetam o território e transformam a rotina das populações que dependem diretamente dos rios e da floresta.
Em junho de 2026, o projeto conquistou o primeiro lugar na categoria Fotojornalismo do Concurso Dom Phillips e Bruno Pereira, iniciativa voltada ao reconhecimento de produções relacionadas à defesa do meio ambiente e dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
O trabalho também foi apresentado em festivais nacionais de fotografia, ampliando o alcance das imagens sobre os desafios ambientais enfrentados pelo Acre.
Reconhecimento amplia presença da arte acreana no cenário internacional
Apesar de ter iniciado sua trajetória fotográfica recentemente, Paulo Henrique já acumula reconhecimentos em iniciativas culturais e artísticas.
Entre eles estão trabalhos reconhecidos pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia e pelo Festival PhotoThings. Em 2026, o fotógrafo também venceu a categoria Energia e Clima do Prêmio Pensadores de Futuros, com uma produção dedicada às transformações ambientais na Amazônia.
Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Paulo Henrique também atua na comunicação socioambiental, área que influencia sua produção artística e sua abordagem sobre as relações entre território, identidade e direitos humanos.
Para o fotógrafo, a produção de imagens deve respeitar a dignidade das pessoas retratadas e contribuir para preservar suas histórias. Essa perspectiva orienta tanto os registros do cotidiano das comunidades quanto os trabalhos dedicados aos impactos ambientais.
A chegada de Raízes do Juruá ao circuito cultural francês representa uma nova etapa na circulação da produção artística acreana, permitindo que experiências e narrativas construídas no interior da Amazônia alcancem públicos internacionais.
Mais do que apresentar paisagens, a iniciativa busca ampliar o reconhecimento das pessoas, das manifestações culturais e das histórias que compõem a identidade do Vale do Juruá.

