Governos da Amazônia destinaram apenas 1,3% dos orçamentos a ações climáticas desde 2023, aponta levantamento

Redação Planeta Amazônia

Um levantamento publicado pela InfoAmazonia em 1º de outubro revela que cinco governos estaduais da Amazônia Legal destinaram, conjuntamente, apenas 1,3% de seus orçamentos a despesas relacionadas à agenda climática entre 2023 e o primeiro semestre de 2026. A análise abrange Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Pará, estados cujos atuais governantes ou representantes da continuidade administrativa disputam a permanência no poder nas eleições deste ano.

Segundo a investigação, os cinco estados empenharam aproximadamente R$ 6,4 bilhões em ações associadas à proteção ambiental, adaptação climática e prevenção de desastres, enquanto as demais despesas somaram R$ 475 bilhões no período analisado. Os números evidenciam a participação relativamente reduzida dessas iniciativas na execução orçamentária estadual, em uma região particularmente exposta aos efeitos das mudanças climáticas.

Entre os estados pesquisados, o Acre registrou a maior proporção de recursos destinados à área, com aproximadamente R$ 1 bilhão, equivalente a 2,6% dos R$ 38 bilhões empenhados pelo governo estadual. O Amapá apresentou o menor percentual, com R$ 210 milhões, correspondentes a 0,6% de seu orçamento.

No caso acreano, a Defesa Civil concentrou a maior parcela dos recursos classificados como relacionados ao clima. Foram quase R$ 440 milhões destinados à área ao longo do período analisado, incluindo R$ 84 milhões em 2026. A concentração reflete a importância das ações de prevenção e resposta a eventos extremos, como enchentes, secas e queimadas, que afetam regularmente diferentes municípios do estado.

A pesquisa também identificou diferenças nas prioridades orçamentárias dos governos. No Pará e no Amazonas, por exemplo, o saneamento básico representou, respectivamente, 45% e 55% dos recursos classificados como despesas relacionadas à agenda climática. Em outras áreas, como assistência aos povos indígenas e reforma agrária, houve períodos de execução orçamentária reduzida ou inexistente.

Propostas ambientais aparecem nos planos de governo

Apesar da participação limitada das despesas climáticas nos orçamentos analisados, todos os candidatos incluídos no levantamento apresentaram propostas relacionadas à proteção ambiental e ao enfrentamento das mudanças climáticas.

No Acre, a governadora Mailza Assis Cameli (PP) incluiu em seu plano de governo o fortalecimento da Defesa Civil, a prevenção de enchentes, secas e queimadas, além do incentivo ao mercado de carbono, aos serviços ambientais e à utilização de fontes renováveis de energia.

Nos demais estados, as propostas incluem medidas de adaptação climática, desenvolvimento da bioeconomia, expansão do saneamento, conservação ambiental e prevenção de incêndios florestais.

Entretanto, o levantamento aponta que a agenda ambiental ainda ocupa espaço reduzido no debate eleitoral regional. Dados de monitoramento da consultoria FALA, citados pela InfoAmazonia, indicam que apenas 14 das 1.182 candidaturas acompanhadas na Amazônia Legal mencionaram estratégias de prevenção aos impactos do fenômeno El Niño em suas redes sociais, o equivalente a 1,2% do total.

Especialistas ouvidos pela reportagem associam essa presença limitada à predominância de outras preocupações nas campanhas, como saúde, segurança pública, geração de empregos, infraestrutura e desenvolvimento econômico.

Levantamento considera despesas empenhadas até junho de 2026

A investigação utilizou informações do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), referentes ao período de 2023 a 2025, além dos Relatórios Resumidos da Execução Orçamentária dos estados relativos ao primeiro semestre de 2026.

A metodologia considerou despesas da função Gestão Ambiental e de outras nove subfunções relacionadas à adaptação climática, ao saneamento, à Defesa Civil e ao uso da terra.

É importante observar que os valores correspondem a despesas empenhadas, e não necessariamente a recursos efetivamente pagos. Além disso, o percentual identificado depende da classificação orçamentária adotada pela pesquisa, não abrangendo obrigatoriamente todas as políticas públicas que possam produzir benefícios ambientais.

O estudo apresenta, assim, um panorama da distribuição dos recursos estaduais relacionados à agenda climática e oferece elementos para acompanhar a correspondência entre os compromissos apresentados pelos candidatos e a execução orçamentária dos governos.

By emprezaz

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