Redação Planeta Amazônia
O governo do Acre apresentou experiências sustentáveis ligadas à agrofloresta e à apicultura durante visita de campo realizada na 16ª Reunião Anual da Força-Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF Task Force), em Florencia, no departamento de Caquetá, na Colômbia. O encontro internacional reúne representantes de governos, povos indígenas, organizações ambientais e lideranças climáticas de diversos países amazônicos.
A programação faz parte de uma agenda voltada ao fortalecimento da chamada “Nova Economia Florestal”, conceito que busca integrar conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento sustentável em territórios amazônicos.
A delegação acreana contou com representantes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas (Sepi) e Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC). Entre os participantes estavam o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho; a secretária extraordinária dos Povos Indígenas, Francisca Arara; e a presidente do IMC, Jaksilande Araújo.
Agrofloresta e meliponicultura entram no centro do debate climático
Durante o terceiro dia da programação, os gestores acreanos participaram de visitas técnicas para conhecer experiências de sistemas agroflorestais e meliponicultura — atividade voltada à criação de abelhas nativas sem ferrão — desenvolvidas por comunidades da região colombiana de Caquetá.
Segundo os organizadores, as iniciativas visitadas combinam produção agrícola sustentável, recuperação florestal e geração de renda para agricultores familiares e comunidades tradicionais.
Os sistemas agroflorestais (SAFs) são considerados uma das principais estratégias de produção sustentável na Amazônia por integrarem árvores, culturas agrícolas e recuperação ambiental em uma mesma área produtiva. Especialistas apontam que o modelo ajuda a reduzir pressão sobre novas áreas de floresta, ampliar biodiversidade e fortalecer a segurança alimentar.
Já a meliponicultura vem ganhando destaque crescente dentro da bioeconomia amazônica. Além da produção de mel, a criação de abelhas sem ferrão possui papel estratégico na polinização de espécies nativas e na conservação ambiental.
Acre busca fortalecer protagonismo climático internacional
A participação acreana ocorre em meio à consolidação do estado como uma das principais referências brasileiras em políticas subnacionais de clima e floresta.
O Acre mantém atuação histórica dentro da GCF Task Force, rede internacional formada por estados e províncias responsáveis por mais de um terço das florestas tropicais do planeta.
Em 2025, Rio Branco sediou a 15ª reunião anual da força-tarefa, reunindo representantes de 11 países para debater bioeconomia, restauração florestal, REDD+ e financiamento climático.
Segundo o governo acreano, a participação em agendas internacionais busca ampliar cooperação técnica, atrair investimentos ambientais e fortalecer projetos sustentáveis desenvolvidos em comunidades amazônicas.
Nova economia florestal ganha espaço na Amazônia
A 16ª edição da GCF Task Force ocorre sob o tema “Nova Economia Florestal para a Ação Climática: Desenvolvimento Territorial e Inovação”. O conceito vem sendo utilizado para defender modelos econômicos baseados na valorização da floresta em pé e na geração de renda sustentável para populações locais.
Entre os principais eixos debatidos estão bioeconomia, restauração de áreas degradadas, infraestrutura natural, produção sustentável e mecanismos de financiamento climático.
Especialistas apontam que estados amazônicos tentam consolidar novos modelos econômicos diante da pressão internacional por redução do desmatamento e adaptação às mudanças climáticas.
Nesse contexto, iniciativas ligadas à agrofloresta, manejo sustentável, produção de mel, sistemas agroecológicos e cadeias da sociobiodiversidade passaram a ocupar posição estratégica nas políticas ambientais da região.
Povos indígenas e comunidades locais ampliam participação
Outro ponto central da reunião internacional é a ampliação da participação de povos indígenas e comunidades tradicionais nas políticas climáticas.
A presença da Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenas do Acre na delegação estadual reforça a tentativa de integrar conhecimentos tradicionais às estratégias ambientais debatidas internacionalmente.
A própria GCF Task Force vem ampliando nos últimos anos a presença de organizações indígenas e comunitárias em seus fóruns globais.
Segundo especialistas, a valorização dos territórios tradicionais e dos conhecimentos associados à floresta é considerada fundamental para alcançar metas climáticas e conter o avanço da degradação ambiental na Amazônia.
Amazônia busca soluções sustentáveis para o clima
A visita de campo realizada durante a conferência simboliza uma tendência crescente dentro da agenda climática internacional: a busca por soluções construídas diretamente nos territórios amazônicos.
Ao apresentar experiências ligadas à agrofloresta e à apicultura sustentável, o Acre tenta reforçar sua posição como laboratório de políticas ambientais baseadas na conservação da floresta e na valorização da economia comunitária.
Para especialistas, iniciativas desse tipo mostram que o debate climático deixou de se concentrar apenas na redução do desmatamento e passou a incorporar temas como geração de renda, segurança alimentar, bioeconomia e justiça socioambiental nas regiões amazônicas.

