Incêndios avançam no oeste do Pará e deixam ar de Santarém em nível muito insalubre

Estado registrava 922 focos ativos de incêndio, enquanto a concentração de partículas finas na atmosfera de Santarém ultrapassava em mais de cinco vezes o limite diário de referência da legislação brasileira.

O avanço dos incêndios florestais na Amazônia agravou a qualidade do ar no oeste do Pará, especialmente no município de Santarém. Dados divulgados na segunda-feira (19) apontaram que o estado concentrava 922 focos ativos de incêndio, o maior número registrado no país naquele levantamento, segundo a plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em Santarém, a poluição atmosférica atingiu níveis considerados muito insalubres. Informações da plataforma internacional IQAir indicaram que o índice de qualidade do ar chegou a 260, evidenciando a elevada concentração de poluentes na atmosfera.

A situação preocupa pelos riscos à saúde da população, especialmente de crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.

Os números correspondem ao monitoramento divulgado em 19 de outubro e não representam necessariamente as condições registradas nesta sexta-feira (23).

Poluição em Santarém ultrapassa limite de referência

De acordo com a plataforma IQAir, a estação de monitoramento localizada em Santarém registrou concentração de 185 microgramas por metro cúbico de material particulado fino.

Esse tipo de poluente, conhecido como PM2,5, é formado por partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório.

A concentração observada foi aproximadamente 5,8 vezes superior ao limite de referência de 32 microgramas por metro cúbico, considerado como média diária pela legislação brasileira citada no levantamento.

Embora os valores tenham períodos de medição distintos, a comparação evidencia a gravidade do episódio de poluição atmosférica.

A exposição a concentrações elevadas de partículas finas pode provocar irritação das vias respiratórias, agravamento de doenças pulmonares e aumento dos riscos cardiovasculares.

Durante episódios intensos de fumaça, a recomendação geral é reduzir atividades físicas ao ar livre, evitar exposição prolongada à poluição e procurar atendimento de saúde em caso de dificuldade respiratória ou agravamento de sintomas.

Pará liderava número de focos ativos de incêndio

O monitoramento do Inpe apontou que o Pará concentrava 922 focos ativos de incêndio, colocando o estado na primeira posição nacional no levantamento divulgado em 19 de outubro.

Os registros demonstram a extensão da atividade do fogo na região amazônica, onde as queimadas podem comprometer a vegetação, afetar a biodiversidade e prejudicar as condições de vida das comunidades.

Além dos danos ambientais, a fumaça pode se espalhar por grandes distâncias, atingindo áreas urbanas e localidades afastadas dos pontos de incêndio.

A presença de material particulado na atmosfera também pode dificultar atividades cotidianas, especialmente para trabalhadores que permanecem expostos ao ar livre.

É importante destacar que os focos detectados por satélite representam registros de atividade do fogo e não correspondem, necessariamente, ao número de incêndios individuais.

Amazonas também enfrenta incêndios e situação de emergência

O agravamento das queimadas não ficou restrito ao território paraense.

No Amazonas, o levantamento divulgado em 19 de outubro indicava 90 focos ativos, após o estado ter registrado mais de mil pontos de fogo ao longo daquele mês.

A intensificação dos incêndios levou à mobilização de equipes federais e estaduais para combater as chamas e prestar assistência às populações atingidas.

Em 12 de outubro, o governo federal já havia informado o envio de brigadistas e aeronaves especializadas para apoiar as operações de combate ao fogo no Amazonas.

Na ocasião, também foram relatadas ocorrências em áreas florestais de difícil acesso, exigindo apoio aéreo e atuação integrada dos órgãos responsáveis.

Governo federal reforça operações com 16 aeronaves

Diante do avanço dos incêndios, o governo federal anunciou o reforço das operações de combate ao fogo na região amazônica.

No domingo (18), o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, informou que a força-tarefa recebeu apoio de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, instalado em Manaus.

A operação também passou a contar com a adaptação de mais cinco aviões para o combate aos incêndios florestais, elevando para 16 o número de aeronaves mobilizadas na região.

O reforço busca ampliar a capacidade de resposta das equipes, especialmente em localidades de difícil acesso por vias terrestres.

O combate aos incêndios em áreas remotas da Amazônia exige estratégias específicas, incluindo o transporte de brigadistas, equipamentos e suprimentos para regiões onde a infraestrutura de acesso é limitada.

Força Nacional do SUS e recursos emergenciais

Além das operações de combate ao fogo, o governo federal anunciou medidas de apoio à população afetada pela poluição atmosférica.

Conforme as informações divulgadas em 19 de outubro, estava prevista para a terça-feira (20) a implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), destinada a reforçar a assistência aos moradores atingidos pela fumaça.

A publicação consultada não confirmou a efetiva instalação da estrutura, apresentando a medida como uma ação programada.

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional também disponibilizou R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para ações relacionadas à situação de emergência.

Os recursos foram destinados ao atendimento das necessidades decorrentes dos incêndios e de seus impactos sobre a população amazonense.

As medidas fazem parte da resposta emergencial à intensificação das queimadas, que afetam simultaneamente a conservação ambiental, a saúde pública e a rotina das comunidades amazônicas.

Queimadas ampliam riscos ambientais e à saúde na Amazônia

A deterioração da qualidade do ar em Santarém evidencia que os impactos dos incêndios florestais ultrapassam as áreas diretamente atingidas pelas chamas.

Além da destruição da vegetação e dos prejuízos à biodiversidade, a fumaça pode comprometer a saúde de milhares de pessoas, inclusive em centros urbanos distantes dos focos de incêndio.

O material particulado fino representa uma preocupação especial por sua capacidade de atingir as regiões mais profundas dos pulmões e agravar problemas respiratórios.

O cenário reforça a importância do monitoramento contínuo da qualidade do ar, da prevenção de novos incêndios e da atuação coordenada entre órgãos ambientais, equipes de saúde e instituições de defesa civil.

Os dados divulgados em 19 de outubro demonstram a gravidade do episódio enfrentado pelo oeste paraense e a necessidade de medidas de proteção à população durante os períodos de maior concentração de fumaça.

By emprezaz

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