Medida dos EUA pode afetar cooperação internacional no combate ao crime na Amazônia, alerta secretária da Senad

A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, Marta Machado, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pode gerar impactos negativos sobre ações de cooperação internacional voltadas ao combate ao crime organizado na Amazônia. A avaliação foi feita em entrevista à Agência Pública publicada em 5 de junho.

Segundo a secretária, a medida norte-americana pode dificultar mecanismos de colaboração policial e de inteligência que atualmente envolvem instituições brasileiras e estrangeiras no enfrentamento ao tráfico de drogas, ao garimpo ilegal, ao desmatamento e a outros crimes transnacionais que atuam de forma integrada na região amazônica.

Crime organizado e crimes ambientais estão cada vez mais conectados

Na entrevista, Marta Machado destacou que o avanço das facções criminosas na Amazônia está diretamente relacionado à expansão de atividades ilegais como garimpo, extração de madeira, grilagem de terras e desmatamento.

Segundo ela, atualmente não é mais possível separar o tráfico de drogas dos crimes ambientais, pois as organizações utilizam as mesmas rotas logísticas, estruturas financeiras e mecanismos de lavagem de dinheiro para diferentes atividades ilícitas.

A secretária classificou esse fenômeno como “convergência criminal”, conceito que vem sendo utilizado por especialistas para descrever a interligação entre redes criminosas e crimes ambientais na Amazônia.

Programa federal busca recuperar territórios dominados pelo crime

Para enfrentar esse cenário, o governo federal lançou recentemente o programa Território Seguro Amazônia Soberana, com orçamento de R$ 209 milhões.

A iniciativa combina ações de inteligência policial, operações integradas de segurança pública e políticas sociais voltadas à prevenção do aliciamento de jovens pelo crime organizado, especialmente em comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

De acordo com a secretária, o objetivo é evitar que as operações policiais sejam ações isoladas, promovendo a presença contínua do Estado nos territórios após as intervenções de segurança.

Cooperação internacional é considerada estratégica

Um dos principais pontos levantados por Marta Machado é que o combate ao crime organizado na Amazônia depende de intensa articulação internacional.

Ela citou a atuação conjunta entre forças de segurança brasileiras, países vizinhos, organismos internacionais e estruturas de cooperação instaladas em regiões de fronteira, fundamentais para interceptar rotas de tráfico de drogas, armas e mercadorias ilegais.

A secretária argumenta que medidas unilaterais podem enfraquecer justamente os mecanismos de cooperação que vêm sendo utilizados para enfrentar organizações criminosas transnacionais.

Governo brasileiro critica classificação como terrorismo

A decisão do governo dos Estados Unidos entrou em vigor no início de junho e classificou facções brasileiras como organizações terroristas. O governo brasileiro manifestou preocupação com os possíveis efeitos da medida sobre a soberania nacional e sobre a cooperação internacional em segurança pública.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil também apontaram que a medida pode produzir efeitos diplomáticos, econômicos e operacionais, incluindo impactos sobre acordos de cooperação, investimentos e fluxos financeiros internacionais.

Amazônia está no centro da disputa contra o crime organizado

Segundo dados citados pela secretária, facções criminosas já possuem presença em centenas de municípios amazônicos, aproveitando a extensa malha de rios e fronteiras internacionais para movimentação de drogas, ouro ilegal, madeira e outros produtos ilícitos.

Ela afirmou que o fortalecimento da fiscalização ambiental e da presença estatal é fundamental para impedir que organizações criminosas ampliem sua influência sobre comunidades tradicionais e territórios protegidos da Amazônia.

Além das ações policiais, o governo aposta em programas de prevenção, proteção social e fortalecimento das comunidades locais como parte da estratégia de enfrentamento ao crime organizado na região.

A Secretaria concedeu a entrevista ao portal Publica 15 anos

By emprezaz

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