Pesquisadores do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Rondônia (Nupro), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, estão desenvolvendo um estudo para medir o potencial das castanheiras-do-brasil (Bertholletia excelsa) no sequestro de carbono e compreender como os sistemas agroflorestais podem contribuir para a mitigação das mudanças climáticas e o fortalecimento da produção sustentável na Amazônia. O trabalho é realizado em propriedades rurais de Rondônia, em parceria com agricultores e instituições locais.
A pesquisa envolve a medição do diâmetro, da altura e da localização das árvores para estimar a biomassa acumulada e calcular a quantidade de carbono armazenada na vegetação. Paralelamente, os pesquisadores coletam amostras de solo para avaliar o carbono retido no subsolo e entrevistam os produtores rurais sobre o histórico de uso e manejo das áreas, integrando dados científicos ao conhecimento construído pelos agricultores ao longo das últimas décadas.
Castanhais ajudam a enfrentar as mudanças climáticas
Segundo a pesquisadora Susan Aragón Carrasco, bolsista do Programa de Capacitação Institucional (PCI), os resultados obtidos até o momento evidenciam o papel dos sistemas agroflorestais na captura de carbono atmosférico.
De acordo com ela, a análise de castanhais implantados desde os anos 1980 demonstra que essas áreas possuem elevado potencial para contribuir com a mitigação das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, o estudo revela os desafios enfrentados pelos produtores, que precisam realizar investimentos elevados e aguardar muitos anos até o início da produção de castanhas.
Ciência aplicada ao desenvolvimento sustentável
O trabalho também busca compreender como diferentes formas de manejo influenciam o desempenho ambiental e produtivo dos sistemas agroflorestais.
Para o Nupro, a pesquisa representa um exemplo de ciência aplicada, conectando biodiversidade, conservação do solo, agricultura familiar, mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. A proposta é produzir conhecimento que possa subsidiar políticas públicas e incentivar modelos produtivos capazes de conciliar geração de renda e conservação da floresta.
Equipe multidisciplinar fortalece atuação do Inpa em Rondônia
O estudo reúne especialistas de diferentes áreas do conhecimento, entre elas botânica, geografia ambiental, ciências ambientais e sistemática vegetal.
Além de Susan Aragón Carrasco, participam da pesquisa os pesquisadores Raimundo Cajueiro Leandro, Izabela de Lima Feitosa e Fabio Araújo da Silva, que atuam em temas como sistemas agroflorestais, agricultura familiar, recuperação de áreas degradadas, taxonomia vegetal, ecologia da paisagem e conservação da flora amazônica. A diversidade de especialidades permite uma abordagem integrada sobre os serviços ambientais prestados pelos castanhais implantados na região.
Sistemas agroflorestais unem produção e conservação
Os sistemas agroflorestais combinam árvores, culturas agrícolas e, em alguns casos, espécies nativas em uma mesma área de cultivo. Esse modelo favorece a recuperação do solo, amplia a biodiversidade, melhora a retenção de água e nutrientes e aumenta o armazenamento de carbono, ao mesmo tempo em que diversifica a produção e gera renda para os agricultores.
Ao investigar o comportamento das castanheiras nesses sistemas, os pesquisadores pretendem gerar informações que fortaleçam estratégias de adaptação às mudanças climáticas e incentivem práticas produtivas sustentáveis na Amazônia.

