Julho Verde mobiliza comunidades tradicionais em defesa dos manguezais amazônicos

Os manguezais amazônicos estarão no centro de uma ampla mobilização neste fim de semana em alusão ao Dia Nacional de Proteção aos Manguezais, celebrado em 26 de julho. A campanha Julho Verde 2026, que neste ano adota o tema “Nosso Mangue Tem Valor com Gente”, promove atividades em Reservas Extrativistas (Resex) do Pará e do Amapá, além da comunidade pesqueira de Guajerutiva, no Maranhão, reunindo comunidades tradicionais, organizações socioambientais, pesquisadores e gestores públicos em torno da conservação de um dos ecossistemas mais importantes da Amazônia costeira.

Coordenada por associações de Reservas Extrativistas, colônias de pescadores e apoiada pela Associação Rare do Brasil, a campanha busca ampliar a conscientização sobre o papel estratégico dos manguezais não apenas para a biodiversidade, mas também para a segurança alimentar, a geração de renda e a adaptação às mudanças climáticas. A proposta é reforçar que a preservação desses ambientes depende diretamente das populações que vivem e trabalham nesses territórios há gerações.

Manguezais são territórios de vida, cultura e trabalho

Embora frequentemente associados apenas à conservação ambiental, os manguezais sustentam milhares de famílias que dependem da pesca artesanal, da mariscagem e do extrativismo para garantir renda e alimentação. A campanha procura justamente ampliar essa percepção, destacando que esses ecossistemas também representam patrimônio cultural, identidade e modos de vida tradicionais.

Segundo os organizadores, o tema “Nosso Mangue Tem Valor com Gente” busca evidenciar que proteger os manguezais significa fortalecer as comunidades que historicamente cuidam desses ambientes, valorizando seus conhecimentos e sua atuação na conservação da natureza.

Programação reúne atividades em três estados

Ao longo de julho, a campanha mobiliza 17 associações e colônias de pescadores de Reservas Extrativistas do Pará e do Amapá, além da comunidade pesqueira de Guajerutiva, no Maranhão.

A programação inclui rodas de conversa, palestras, mutirões de limpeza, feiras socioambientais, atividades de educação ambiental, manifestações culturais, competições esportivas e ações comunitárias voltadas à valorização dos manguezais e das populações tradicionais. Em Oiapoque (AP), por exemplo, estão previstas atividades como a Segunda Canoada dos Povos das Águas, sessões solenes, feira socioambiental, ações de saúde e cidadania, exibição do Cine Mangue, torneios tradicionais e eventos culturais até o fim do mês.

Belém recebe marcha em defesa dos manguezais

O ponto alto da campanha ocorrerá em Belém, no próximo 26 de julho, com a realização da 4ª Marcha dos Manguezais Amazônicos.

Com o tema “Nosso Mangue, Nosso Clima”, a mobilização acontecerá das 7h às 11h, com concentração na Escadinha do Cais do Porto e caminhada até o complexo do Ver-o-Peso. A expectativa é reunir pescadores artesanais, marisqueiras, extrativistas, estudantes, pesquisadores, organizações socioambientais e moradores da capital paraense em defesa da Amazônia costeira.

Amazônia concentra a maior faixa contínua de manguezais do planeta

A campanha também chama atenção para a dimensão estratégica dos manguezais amazônicos. Dados do MapBiomas mostram que o Brasil possui aproximadamente 1,4 milhão de hectares de manguezais, a segunda maior extensão desse ecossistema no mundo. Cerca de 75% dessa área está localizada na Amazônia, principalmente nos estados do Pará, Amapá e Maranhão, formando a maior faixa contínua de manguezais do planeta.

Esses ambientes funcionam como berçários naturais para centenas de espécies de peixes, camarões, caranguejos, ostras e siris, desempenhando papel essencial na manutenção da biodiversidade marinha e costeira. Ao mesmo tempo, sustentam cadeias produtivas fundamentais para milhares de famílias que dependem da pesca artesanal e do extrativismo como principal fonte de renda.

Aliados no combate às mudanças climáticas

Além da importância ecológica e social, os manguezais desempenham papel decisivo no enfrentamento da crise climática. Estudos científicos citados pelos organizadores da campanha indicam que esses ecossistemas podem armazenar até quatro vezes mais carbono por hectare do que as florestas tropicais terrestres, característica que os torna fundamentais para a captura de carbono, processo conhecido como carbono azul.

Essa capacidade faz dos manguezais um dos principais aliados naturais na mitigação das mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, eles ajudam a proteger o litoral contra erosão, reduzem os impactos de tempestades e contribuem para a estabilidade dos ecossistemas costeiros.

Conservação depende das comunidades tradicionais

Para a Associação Rare do Brasil e as organizações parceiras, a proteção dos manguezais passa necessariamente pelo fortalecimento das populações tradicionais que ocupam esses territórios. A campanha defende maior integração entre comunidades, universidades, poder público e sociedade civil, reconhecendo que a conservação ambiental e a valorização dos modos de vida tradicionais são processos indissociáveis.

Ao promover atividades educativas, culturais e de mobilização social, o Julho Verde pretende ampliar o debate sobre a importância dos manguezais para a Amazônia e incentivar políticas públicas voltadas à conservação desse patrimônio natural e ao fortalecimento das comunidades que garantem sua proteção há gerações.

By emprezaz

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