Redação Planeta Amazônia
Uma nova plataforma de inovação aberta pretende aproximar problemas concretos da Amazônia de empresas, startups, pesquisadores e instituições capazes de desenvolver soluções tecnológicas. Batizada de Loopi, a ferramenta foi lançada pelo Instituto CERTI Amazônia e pela Fundação CERTI, em conjunto com o Grupo Siemens, com foco no desenvolvimento sustentável da região.
A proposta é criar um ambiente no qual organizações apresentem demandas estratégicas do território amazônico e encontrem parceiros com conhecimento científico, tecnológico ou empresarial para transformá-las em projetos de inovação.
Diferentemente de uma plataforma voltada apenas à apresentação de ideias, a Loopi foi estruturada para conectar quem enfrenta determinado desafio a quem possui capacidade técnica para desenvolver uma resposta, acompanhando posteriormente a evolução das iniciativas.
Desafios da Amazônia como ponto de partida para inovação
O funcionamento da plataforma parte das necessidades apresentadas por empresas, instituições públicas e organizações.
A partir desses desafios, a Loopi procura identificar startups, pesquisadores, institutos de ciência e tecnologia e empresas de base tecnológica interessados em colaborar no desenvolvimento de soluções.
Para Daniel Penz, desenvolvedor de novos negócios do Instituto CERTI Amazônia, a proposta é aproximar esses dois lados do ecossistema de inovação.

Segundo Penz, o objetivo é criar uma conexão entre quem possui um problema e quem dispõe da capacidade tecnológica necessária para contribuir com uma solução. O modelo de inovação aberta permite, dessa forma, reunir diferentes conhecimentos e acelerar projetos com impacto direto na Amazônia.
A iniciativa procura enfrentar uma dificuldade recorrente no desenvolvimento de tecnologias para a região: transformar conhecimento científico e capacidade de inovação em respostas aplicáveis às particularidades sociais, ambientais e econômicas do território amazônico.
Plataforma foi apresentada em Macapá
A apresentação oficial da Loopi ocorreu em Macapá, no Amapá, durante o nexBio Amazônia, programa suíço-brasileiro de inovação sustentável.
O programa é promovido pela Swissnex no Brasil, vinculada ao Federal Department of Economic Affairs, Education and Research (EAER), por meio da Secretaria de Estado para Educação, Pesquisa e Inovação (SERI) da Suíça, em conjunto com a Embaixada da Suíça no Brasil e a Universidade de St. Gallen.
A escolha da capital amapaense para apresentar a plataforma também colocou a iniciativa em contato direto com atores que desenvolvem soluções relacionadas aos desafios amazônicos.
O material encaminhado ao Planeta Amazônia mostra, inclusive, Daniel Penz apresentando a Loopi durante o evento em Macapá, além de imagens aéreas da região amazônica utilizadas na divulgação da iniciativa.
Primeiro desafio reuniu 19 organizações
A ferramenta já foi utilizada para conectar potenciais soluções a demandas empresariais.
Durante o nexBio Amazônia, 19 organizações, entre startups e pesquisadores, tiveram a oportunidade de avaliar a aderência de suas soluções a dois desafios apresentados pela Unique, empresa que adquiriu os direitos de exploração da faixa de 700 MHz do 5G nos estados amazônicos.
A experiência demonstra como a plataforma pretende funcionar na prática: uma organização apresenta determinado desafio e o sistema cria condições para aproximá-la de atores capazes de oferecer conhecimento, tecnologia ou modelos de negócio relacionados à demanda.
A partir dessa conexão inicial, propostas com maior potencial podem avançar para projetos colaborativos.
Tecnologia deve gerar impacto no território
A expectativa dos responsáveis pela Loopi é que as soluções não fiquem restritas ao ambiente tecnológico.
A plataforma pretende estimular projetos capazes de combinar tecnologia, geração de renda e melhoria da qualidade de vida na Amazônia.
Daniel Penz destaca que a região enfrenta desafios que podem se transformar em oportunidades quando conhecimento, tecnologia e capacidade empreendedora são conectados.
A intenção é permitir que soluções desenvolvidas a partir de necessidades locais possam ganhar escala e produzir benefícios concretos para a sociedade amazônica.
Essa perspectiva também procura inverter uma lógica comum no desenvolvimento de novas tecnologias: em vez de criar primeiro uma solução e posteriormente buscar onde aplicá-la, a proposta parte de problemas identificados no próprio território para então procurar competências capazes de respondê-los.
Como funciona a Loopi
A plataforma reúne, em um ambiente digital estruturado, desafios tecnológicos apresentados pelas organizações.
A partir deles, são promovidas conexões qualificadas entre os proponentes dos desafios e potenciais parceiros.
A Loopi também acompanha a evolução das iniciativas e adota critérios relacionados a transparência, governança e impacto regional, além de considerar características sociais, ambientais e econômicas do território amazônico.
Com curadoria técnica, a intenção é evitar que a conexão termine apenas na aproximação entre os participantes e aumentar as possibilidades de transformar as demandas apresentadas em projetos efetivos de inovação e desenvolvimento sustentável.
Inovação aberta voltada às particularidades da Amazônia
A criação da plataforma ocorre em um momento de crescente interesse pela utilização da ciência e da tecnologia para enfrentar desafios históricos da Amazônia.
Distâncias continentais, dificuldades de conectividade, infraestrutura limitada e particularidades ambientais fazem com que soluções desenvolvidas para outras regiões nem sempre possam ser simplesmente reproduzidas no território amazônico.
Ao mesmo tempo, universidades, institutos de pesquisa, startups e empreendedores da região acumulam conhecimentos que podem ser aplicados a problemas locais.
É justamente nessa lacuna que a Loopi pretende atuar: identificando demandas, aproximando competências e estruturando parcerias capazes de transformar desafios amazônicos em projetos de inovação.
A participação inicial de 19 organizações no encontro realizado em Macapá funciona como uma primeira demonstração dessa estratégia.
Se conseguir transformar essas conexões em projetos concretos, a plataforma poderá contribuir para ampliar um ecossistema de inovação que não apenas desenvolva tecnologia na Amazônia, mas que parta das necessidades e características da própria Amazônia.

