A Prefeitura de Rio Branco lançou nesta terça-feira (15) o programa Cuidar Rio Branco, iniciativa que pretende antecipar ações de prevenção em regiões historicamente atingidas por enxurradas e alagamentos durante o período de chuvas.
Os primeiros trabalhos começaram no Bairro da Paz, às margens do Igarapé Batista, e envolvem limpeza de cursos d’água, retirada de entulhos e árvores mortas, identificação de áreas de risco, recuperação ambiental e atividades de conscientização junto às comunidades.
A estratégia é atuar antes da intensificação das chuvas, reduzindo fatores que podem dificultar o escoamento da água e agravar os impactos dos alagamentos.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente terá papel central na iniciativa, principalmente nas frentes de educação ambiental e identificação de áreas que poderão passar por restauração. A atuação será integrada à Defesa Civil e a outros setores da administração municipal.
Programa começa em região afetada por alagamentos
O lançamento ocorreu na Rua Botafogo, no Bairro da Paz, uma das regiões cortadas pelo Igarapé Batista e que enfrenta problemas durante episódios de chuvas intensas.
O prefeito Alysson Bestene explicou que a proposta é mudar a lógica de atuação do município, ampliando as medidas preventivas em vez de concentrar esforços somente depois da ocorrência de alagamentos.
Segundo ele, o programa deverá permanecer em atuação nos próximos meses, promovendo limpeza, recuperação ambiental e orientação às famílias das comunidades atendidas.
Além do Bairro da Paz, os trabalhos deverão avançar por outras regiões próximas a igarapés e fundos de vale da capital.
Educação ambiental será uma das principais frentes
A secretária municipal de Meio Ambiente, Flaviane Agustini Stedille, destacou que a educação ambiental será uma das principais estratégias do Cuidar Rio Branco.
A intenção é trabalhar diretamente nas comunidades e também nas escolas, aproximando moradores das ações de preservação dos igarapés e orientando sobre o descarte adequado de resíduos.
Segundo Flaviane, parte dos problemas observados durante os períodos de chuva está relacionada justamente à presença de lixo nos cursos d’água.
Resíduos descartados irregularmente podem formar obstáculos e comprometer o escoamento da água, contribuindo para o transbordamento dos igarapés em períodos de maior precipitação.
A proposta, portanto, é combinar a intervenção física nos cursos d’água com ações capazes de reduzir a reincidência do problema.
Geladeiras, sofás, pneus e até carcaça de carro
A dimensão do problema aparece no tipo de material encontrado pelas equipes municipais.
Segundo o secretário municipal de Cuidados com a Cidade, Tony Roque, são encontrados nos igarapés objetos como geladeiras, fogões, pneus e sofás. Em uma operação anterior, uma carcaça de Fusca chegou a ser retirada de um curso d’água.
Durante a atual operação, a Secretaria Municipal de Cuidados com a Cidade trabalha com uma estimativa de retirada de aproximadamente 30 toneladas de resíduos por dia.
Os trabalhos devem alcançar cerca de oito quilômetros de córregos e igarapés, começando pelo Igarapé Batista, seguindo posteriormente para o Igarapé São Francisco e chegando ao entorno do Rio Acre.
Defesa Civil vai mapear pontos mais críticos
Outro eixo do programa será a identificação das áreas que apresentam maior vulnerabilidade.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, coronel Cláudio Falcão, explicou que o órgão ficará responsável pelo mapeamento das áreas de risco e dos pontos considerados mais críticos.
As informações servirão para orientar tanto as equipes responsáveis pela limpeza quanto aquelas que trabalharão nas ações de proteção e recuperação ambiental.
A Defesa Civil também mantém acompanhamento das condições climáticas, da quantidade de chuva e dos níveis de rios e mananciais, além dos efeitos provocados pela estiagem nas comunidades rurais.
Áreas degradadas poderão receber novos plantios
A proposta não termina com a retirada do lixo.
Durante as intervenções, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente pretende identificar pontos degradados e Áreas de Preservação Permanente (APPs) com potencial para recuperação ambiental.
Segundo Flaviane Stedille, a intenção é preparar esses locais para que possam receber ações de restauração e plantio quando as condições climáticas forem adequadas.
A iniciativa busca, dessa forma, aproveitar o trabalho realizado nos igarapés para identificar áreas onde a recuperação da vegetação possa contribuir para a conservação ambiental.
Também está prevista a retirada de árvores mortas que estejam dentro dos igarapés e córregos contemplados pela operação.
Saúde e assistência social devem chegar às comunidades
O Cuidar Rio Branco foi estruturado como uma ação integrada entre diferentes setores da administração municipal.
Além das áreas de Meio Ambiente, Cuidados com a Cidade e Defesa Civil, a proposta prevê participação de Educação, Saúde e Assistência Social.
A intenção é aproveitar a presença das equipes nos bairros para identificar outras demandas e aproximar diferentes serviços públicos das comunidades.
As escolas também deverão funcionar como espaços para atividades de educação ambiental, principalmente com orientações sobre descarte de resíduos e preservação dos cursos d’água.
Moradora relata ter casa atingida três vezes pela água
Para quem vive próximo aos igarapés, as consequências do período chuvoso fazem parte da rotina.
A pastora Sebastiana Carvalho da Silva, de 58 anos, moradora do Bairro da Paz há aproximadamente três décadas, acompanhou o lançamento do programa.
Ela relatou que sua residência já foi atingida pela água em pelo menos três ocasiões durante episódios de alagamento.
Sebastiana também destacou a importância da limpeza do Igarapé Batista e mencionou melhorias recentes realizadas na ponte e na Rua Botafogo, utilizadas pelos moradores da região.
Prevenção antes de a água subir
O lançamento do Cuidar Rio Branco ocorre justamente no período de preparação para a volta das chuvas mais intensas na capital acreana.
Ao reunir limpeza, monitoramento de áreas de risco, recuperação ambiental e conscientização, a Prefeitura pretende atuar sobre diferentes fatores relacionados aos alagamentos urbanos.
O descarte irregular de resíduos é apenas um deles e não explica sozinho a ocorrência de enchentes e enxurradas, que também dependem da intensidade das chuvas, características da drenagem urbana, ocupação territorial e comportamento dos cursos d’água.
Ainda assim, retirar obstáculos dos igarapés e evitar que novos resíduos sejam lançados nesses locais pode contribuir para preservar sua capacidade de escoamento.
É justamente nesse ponto que a educação ambiental passa a fazer parte da estratégia preventiva.
A expectativa da administração municipal é que, depois do início no Bairro da Paz, o Cuidar Rio Branco avance para outras áreas historicamente afetadas por cheias e alagamentos, mantendo as ações ao longo dos próximos meses.

