Programa de R$ 17,5 milhões prorroga inscrições para apoiar organizações de periferias da Amazônia

Organizações sociais e coletivos que atuam em periferias urbanas da Região Norte e do Maranhão ganharam mais tempo para disputar recursos e participar de uma jornada de fortalecimento institucional. O programa BNDES Periferias Fortes – Norte prorrogou até 20 de setembro o prazo para a realização da pré-inscrição.

Financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e executada pelo Instituto Phi, em parceria com o Instituto Phomenta, a iniciativa prevê investimento total de R$ 17,5 milhões e pretende fortalecer até 82 organizações sociais de pequeno e médio porte.

Podem participar iniciativas com atuação comprovada em territórios periféricos urbanos do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além do Maranhão. A participação é gratuita e, em determinadas categorias, organizações sem CNPJ também poderão concorrer.

Programa pretende fortalecer organizações que já atuam nos territórios

O Periferias Fortes – Norte é direcionado a organizações da sociedade civil e coletivos que desenvolvem trabalhos em favelas, ocupações, comunidades e outros territórios urbanos periféricos mapeados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A proposta não é financiar apenas projetos pontuais. O programa pretende ampliar a capacidade institucional de organizações que já atuam nas comunidades, oferecendo recursos financeiros associados a formação, mentorias e acompanhamento técnico.

A pré-inscrição representa a primeira etapa do processo seletivo e será realizada por meio de um formulário simplificado. Nesse momento, serão analisados dados iniciais para verificar se as organizações cumprem os requisitos previstos no edital.

As iniciativas que atenderem aos critérios poderão ser convocadas para uma segunda etapa, destinada à apresentação de informações mais detalhadas e documentos. Conforme o novo cronograma, essa fase permanecerá aberta até 24 de setembro.

Acre e demais estados da Região Norte estão contemplados

Um dos principais recortes do programa é territorial.

Podem participar organizações com sede e atuação comprovada em territórios periféricos urbanos dos sete estados da Região Norte — Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — e do Maranhão.

O edital estabelece critérios diferentes conforme o porte da organização.

Para organizações e coletivos de pequeno porte, é necessário comprovar pelo menos quatro anos de existência e arrecadação média anual mínima de R$ 20 mil nos últimos três anos, ou de R$ 30 mil em pelo menos um desses anos.

Já as organizações de médio porte precisam possuir CNPJ ativo, no mínimo sete anos de existência e arrecadação média anual entre R$ 80 mil e R$ 300 mil nos últimos três anos.

A possibilidade de participação de iniciativas de pequeno porte sem CNPJ amplia o alcance do programa para coletivos que já possuem atuação consolidada nos territórios, mas ainda não alcançaram o mesmo nível de formalização institucional de organizações maiores.

Até 82 organizações serão selecionadas

O processo seletivo prevê até 57 vagas para organizações de pequeno porte e outras 25 para iniciativas de médio porte, totalizando 82 selecionadas.

As organizações terão acesso a diagnóstico de maturidade institucional, formação, mentorias, bolsas de incentivo destinadas às lideranças e recursos para execução de um Plano de Desenvolvimento Institucional.

Para Luiza Serpa, fundadora do Instituto Phi, muitas organizações periféricas possuem profundo conhecimento sobre as necessidades das comunidades em que atuam, mas ainda encontram dificuldades para acessar recursos e estruturar seus processos.

Segundo Serpa, a proposta é aproximar essas iniciativas de oportunidades capazes de proporcionar maior segurança e sustentabilidade aos trabalhos que já são realizados nos territórios.

Apoio pode chegar a R$ 300 mil

As organizações selecionadas participarão de uma jornada de desenvolvimento institucional com duração de 33 meses.

O processo prevê formação imersiva, mentorias, capacitações em áreas como gestão, comunicação e captação de recursos, acompanhamento técnico e apoio para elaboração e implementação dos Planos de Desenvolvimento Institucional.

Além da capacitação, haverá apoio financeiro.

As organizações de pequeno porte poderão acessar até R$ 100 mil, enquanto as de médio porte poderão receber até R$ 300 mil, conforme as regras estabelecidas no edital.

O programa prevê ainda bolsas de incentivo destinadas a apoiar a participação das lideranças durante a jornada de formação e mentoria.

Recursos buscam ampliar impacto nas próprias comunidades

O desenho do programa procura enfrentar uma dificuldade comum a pequenas organizações sociais: a necessidade de executar projetos e atender às demandas das comunidades enquanto, simultaneamente, precisam desenvolver estruturas administrativas, captar recursos e profissionalizar processos internos.

Nesse sentido, o investimento de R$ 17,5 milhões pretende fortalecer não apenas as ações realizadas diretamente nas periferias, mas também a estrutura das organizações responsáveis por desenvolvê-las.

A expectativa é que o apoio em gestão, comunicação, captação de recursos e planejamento permita que essas iniciativas ampliem o impacto e tenham maior sustentabilidade no longo prazo.

O Instituto Phi, responsável pela execução, atua com filantropia e inovação social. Já o Instituto Phomenta desenvolve atividades de apoio e conexão entre organizações da sociedade civil, fundações e empresas. Segundo o material de divulgação, o Phomenta já apoiou diretamente mais de 2 mil ONGs, desenvolveu mais de 100 projetos e conectou mais de 2,5 mil voluntários a organizações sociais.

Inscrições seguem até 20 de setembro

Com a prorrogação, organizações e coletivos interessados terão até 20 de setembro para realizar a pré-inscrição.

A iniciativa pode representar uma oportunidade especialmente relevante para organizações amazônicas de pequeno porte que possuem atuação comunitária consolidada, mas enfrentam dificuldades para acessar fontes tradicionais de financiamento.

Ao combinar recursos de até R$ 300 mil com uma jornada de 33 meses de capacitação e acompanhamento, o BNDES Periferias Fortes – Norte procura criar condições para que as organizações ampliem não apenas seus projetos, mas sua capacidade de permanecer atuando nos territórios.

O desafio agora é fazer com que a oportunidade alcance justamente as iniciativas que estão dentro das periferias amazônicas e que, muitas vezes, possuem menos estrutura para chegar aos grandes mecanismos nacionais de financiamento.

Serviço

Programa: BNDES Periferias Fortes – Norte
Pré-inscrições: até 20 de setembro de 2026
Abrangência: Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão
Vagas: até 82 organizações — 57 de pequeno porte e 25 de médio porte
Investimento total: R$ 17,5 milhões
Apoio: até R$ 100 mil para organizações de pequeno porte e até R$ 300 mil para organizações de médio porte
Duração da jornada: 33 meses

By emprezaz

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens relacionadas