Projeto incentiva a produção literária de mulheres indígenas no Brasil  como forma de expressão artística e de preservação cultural

Da redação do Planeta Amazônia

“Mulherio das Letras Indígenas” compreende 80 mulheres autoras indígenas brasileiras. O projeto conta com produções de contos, poesias e prosas como forma de expressão artística para a preservação da cultura dos povos indígenas viventes no Brasil.

O grupo reúne mulheres escritoras que escrevem além do português, em mais 12 idiomas ancestrais indígenas, que se diferenciam a cada etnia.  O grupo de mulheres tem como líder, a escritora, produtora cultural e professora, Eva Potigura, que ajuda no incentivo de recursos e na divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelas autoras.

Os trabalhos vão contra a ideia de que na cultura dos indígenas não há produção literária, que os indígenas como um todo não são cultos e muito menos capazes de escreverem livros. “Há uma questão racista: é como se indígena não escrevesse. Então, a mulher indígena não escreve”, coloca a professora Eva. A escritora complementa que as pessoas colocam que se há uma produção cultural indígenas, ela se limita a oralidade, não se estendendo a escrita. “. A escrita está no bojo das nossas necessidades há mais de quatro séculos”, disse.

As mulheres autoras apesar das dificuldades e escassez de materiais, com a mídia de qualidade, internet, computador e impressora, além de muitas com pouca experiência na escrita, driblam as adversidades e escrevem seus textos e pedem ajuda dos mais experientes para ajudar no seu crescimento como escritora.

Os textos abordam temais atuais como poder, identidades, linguagens e direito à terra. Muitas vezes são denúncias de crimes, mas também relatam amor a natureza e a Mãe Terra. “A nossa escrita traz as denúncias, os protestos, a dor da mulher, as memórias de nossas mães e avós estupradas. Traz o amor à natureza, a voz da Mãe Terra, da nossa Terra Pindorama e os quatro elementos que formam esse nosso universo”, explica Eva.

Um e-book deverá ser lançado com a produção das escritoras indígenas. Valorizar o patrimônio linguístico dos povos indígenas em todo o mundo é um dos propósitos da Década Internacional das Línguas Indígenas, celebrada entre os anos de 2022 e 2032, por iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). 

O projeto “Mulherio das Letras Indígenas” é uma forma de preservar a herança e o futuro de 896 mil pessoas indígenas, de 305 etnias e 274 idiomas, segundo as últimas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Créditos

Foto destaque: © Webert da Cruz/ONU Mulheres

By emprezaz

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